domingo, 17 de outubro de 2010

Opinião, Fluxo de Informação e Controle

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Ana Godoy é graduada em Ciências Sociais, mestre em Ciências Sociais, área de concentração - Antropologia, doutora em Ciências Sociais, área de concentração - Política, todos pela PUC de São Paulo. Pós-doutora em Educação pela UNICAMP.

Posto hoje aqui um pequeno trecho da conversa que tive com ela no apartamento de sua mãe, em Perdizes, na cidade de São Paulo, na sexta-feira, 15 de Outubro de 2010.

Uma pequena amostra de uma conversa onde ela abordou assuntos referentes a Educação, Ecologia, Informação, Opinião Pública, Vigilância, Segurança, e Resistências, mas sempre tendo como pano de fundo a Sociedade do Controle, baseando-se em ideias do filósofo Gilles Deleuze.

Toda a conversa teve como base o texto de Ana Godoy, encontrado na Internet, chamado:



Na próxima Quarta-Feira colocarei aqui os outros trechos da conversa.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Segunda parte da entrevista com Heliana Conde

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Foram lançadas para a professora Heliana Conde duas últimas questões (veja a primeira no post anterior):

2 – A Revista norte-americana Popular Mechanics, em reportagem intitulada “Sociedade da Vigilância: Novas Câmeras High-Tech estão Observando Você”, lembra pesquisa efetuada entre os norte-americanos em julho de 2007 onde 71% dos entrevistados eram a favor do aumento da vigilância eletrônica através de câmeras. Segundo a revista já eram estimadas, naquele momento da publicação, em janeiro de 2009, 30 milhões de câmeras em redor dos Estados Unidos.

É possível imaginar que no momento em que Foucault diz que “o aparelho disciplinar perfeito capacitaria um único olhar a tudo ver permanentemente”, ou seja, “um olho perfeito a que nada escapa e centro em direção ao qual todos os olhares convergem” (pg. 167, Vigiar e Punir, 2009), ele já vislumbraria de alguma forma toda esta parafernália eletrônica de vigilância ?

3 – Quando Deleuze, já nos anos 90, fala da Sociedade de Controle é porque bebeu das mesmas fontes de Foucault ?

O vídeo que segue mostra as respostas da professora da UERJ.

domingo, 10 de outubro de 2010

Foucault e a Sociedade Disciplinar

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Na última sexta-feira (08/10/2010) tive um encontro com a professora Heliana Conde. Ela é Doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo (USP), e hoje ensina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), localizada no bairro do Maracanã. Ali, no Instituto de Psicologia, foi onde ocorreu o encontro e uma entrevista foi realizada, a respeito de suas pesquisas sobre Michel Foucault.

A seguir posto a primeira questão feita a ela e sua resposta em vídeo.

Até Quarta-Feira, com a continuação da entrevista.

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1 – Acerca do seu artigo Cartografias Minoritárias do Enclausuramento, no Livro coletânea Cartografias de Foucault (Editora Autêntica).

Você diz no texto (pg. 152) que passeia de bicicleta por Vigiar e Punir (com direito inclusive a boas risadas). E logo de início, deixando clara sua paixão por Foucault, você se permite caracterizar o livro dele a partir de três fragmentos:

  • [O poder disciplinar] adestra as multidões confusas, móveis, inúteis de corpos e forças para uma multiplicidade de elementos individuais – pequenas células separadas, autonomias orgânicas, identidades e continuidades genéticas, segmentos combinatórios.
  • A multidão, massa compacta, local de múltiplas trocas, indivíduos que se fundem, efeito coletivo, é abolida em proveito de uma coleção de indivíduos separados […] multiplicidade enumerável e controlável […] solidão sequestrada e olhada […].
  • A disciplina […] modela os comportamentos e faz os corpos entrarem em uma máquina, as forças numa economia.
Esses três fragmentos também ajudam a compreender o que acostumamos chamar de Sociedade Disciplinar ?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Quem vigia os Vigilantes ?

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Alan Moore em uma de suas grandes obras dos quadrinhos, Watchmen, cria personagens cheios de dúvidas e, às vezes, sedentos de glória. Nem tudo naquele mundo criado pelo inglês é perfeito. A humanidade em crise nem sempre responde aos anseios dos "Vigilantes" de forma positiva. No quadro acima é possível se ver jovens pichando em um dos muros da cidade: "Quem vigia os vigilantes ?".

Não é difícil percebermos que aquela questão é atualíssima, também no mundo real contemporâneo. Mas aqueles que têm a capacidade de vigiar estão se perguntando se fazem a coisa certa ? Há críticas a se fazer a respeito da parafernália eletrônica que nos cerca e nos monitora ?

A questão é tão atual quanto importante e podemos ver o assunto lançado pelas mídias até com uma certa regularidade, mas não necessariamente com qualquer visão crítica. Normalmente, apenas informativa.

Revistas especializadas também vêm debatendo o tema. É o caso da edição de agosto de 2010 da Revista Visão Jurídica. Ali, em duas matérias, são discutidos os temas Vigilância e Privacidade.

Na primeira, "Sorria, você está sendo filmado" são abordados os aspectos legais do monitoramento com câmeras de segurança. Na segunda, "Direito a Privacidade", se questiona a respeito dos limites legais para revistas de funcionários em seus locais de trabalho.

Transcrevemos abaixo um trecho do primeiro artigo, de Patrícia Peck Pinheiro, advogada especialista em direito digital.

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Vivemos em uma sociedade mais vigiada, monitorada, o que provoca frequentemente a pergunta: como fica a questão da privacidade? Logicamente, a proteção do indivíduo é uma grande conquista da humanidade em termos de Ordenamento Jurídico, No entanto, muitas vezes, ela cede lugar para a segurança coletiva, e há previsão legal neste sentido em vários países, inclusive no Brasil. Mas há limites? Pode-se, através do Google Earth, observar uma pessoa no terraço do prédio fazendo topless, sem que isso gere um risco jurídico?

Esta realidade mais exposta, mais transparente, trouxe uma série de novos serviços relacionados à vigilância, especialmente com câmeras, cada vez mais conectadas, possíveis de serem verificadas via web, via celular. Há dois tipos de monitoramento em franco crescimento: vias públicas e ambientes corporativos ou domésticos (sejam empresas, sejam condomínios).

No tocante a via pública, a discussão é diminuta, visto que em princípio a pessoa não pode alegar "invasão de privacidade" estando em um local público. No entanto, deve-se ter cuidado com a armazenagem e o acesso a este conteúdo, e o seu fornecimento a terceiro só pode ocorrer por meio de uma ordem judicial, especialmente quando se tratar de câmeras em prédios que apontam para calçada ou para a rua (não é uma câmera instalada na própria via pública como ocorrem em cruzamentos e semáforos).

Já para realização do monitoramento corporativo ou doméstico por câmeras sem riscos legais, deve-se sempre fazer o "aviso prévio", em especial no local principal de entrada do recinto (perímetro físico), visto que a regra é a proteção da privacidade do indivíduo, a não ser que seja feito aviso prévio ou haja uma ordem judicial, para evitar infração à Constituição Federal, art. 5º, inc. IV, X, XII, XXVIII, XIX e XXXV; arts. 21 a 23 do Código Civil; e a própria Lei de Interceptação.

domingo, 3 de outubro de 2010

Pacificando as Cidades

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O texto que segue é encontrado na sua totalidade no Boletim eletrônico mensal do Nu-Sol - Núcleo de Sociabilidade Libertária.

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No Brasil, certos candidatos às eleições de 2010 lançam mão da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) como “sinônimo de ação que pode dar certo”.
Na América do Norte e na Europa fortalecem-se, desde 2008, as “Unidades Territoriais de Bairro (UTB)”, atualmente denominadas “Brigadas Especializadas de Terreno (BET)”, adaptações francesas da community policing, executadas em Chicago e Londres.
Autoridades governamentais, à direita e à esquerda, proclamam: “queremos uma sociedade respeitosa e não uma sociedade rígida, violenta, brutal e egoísta”!
Reconhecem que o cidadão deixa de ser uma ficção, quando o sujeito de direito caminha para se tornar o “indivíduo portador de direitos de uma igualdade formal, rumo à igualdade real”, ou seja, quando se dispõe a cuidar de si e dos outros.
Este cidadão “evoluiu” no interior das lutas de minorias, e reinscreveu o universal na pluralidade e na multiplicidade das demandas identitárias, relacionadas umas às outras. Ele reconhece suas vulnerabilidades específicas e a interdependência das necessidades.
A expansão do pluralismo político em cada indivíduo ampliou o leque de escolhas racionais em variadas organizações da sociedade civil, para além das arregimentações partidárias.
É uma realidade neoliberal em função da cooperação e do bem comum, não apenas como sistema de governo de Estado e dos indivíduos. Todos devem cuidar de si e dos demais, porque todos dependem de algo, e para obtê-lo, de modo seguro, devem pautar suas condutas por meio da tolerância e da confiança de uns nos outros pela difusão da transparência.
A educação de cada um como capital humano, apesar da crise que eclodiu no sistema financeiro em 2008, não teve sua racionalidade abalada.
Os chamados países emergentes, como o Brasil, almejam despontar como potências do século XXI. Orientam-se com base na política participativa, na economia sustentável com responsabilidade sócio-ambiental, na variedade de direitos e em segurança modulada por cada cidadão e pelas tecnologias de informação e comunicação.
A expansão do pluralismo político propiciou o pluralismo policial, projetando o sujeito cosmopolita real.
Em poucas palavras: o súdito passou a ser cidadão e este a sujeito portador de direitos; em suma, permanece amando a sua condição e aspirando a uma “evolução” dentro da ordem.
Ele, ou ela, não se rebela contra a sujeição e amplia suas condutas como assujeitado, um amante das melhorias, na sua condição inquestionável de vida. Sobrevive como força reativa, exercitando a apatia ativa e conformando-se como um policial de si e dos outros.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Palestra sobre Movimento Punk - Participação do Público

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Oi,

Hoje coloco mais uma vez duas partes da vídeo-produção, gravada por mim mesmo, da palestra "O movimento punk numa historia do anarquismo no Brasil", que aconteceu dia 18 de setembro, no Centro de Cultura Social, em São Paulo. Essas partes de hoje são relativas ao momento em que se abriu a palestra para debate e exposição de opiniões.

Legal ouvir um pouco da história do anarquismo dos anos 80 e 90. Vejam ai e sintam um pouco do sabor da revolta Punk, nas palavras de gente que esteve ou ainda está dentro do movimento.

Vídeo abordando Ocupações Punks em SP, Anarco-Punks, Punks pelo Brasil, etc.

Abordagem sobre as interferências do movimento punk dentro do anarquismo

domingo, 26 de setembro de 2010

Imprensa e Convergência Midiática

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Nova postagem sobre o tema publicado aqui neste blog apenas na próxima Quarta-Feira.

Enquanto isto podem ver o trabalho laboratorial concluído hoje na disciplina Imprensa e Convergência Midiática, com Lia Seixas.

http://www.labjor.com/?p=150

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sociedade de Controle e Anarquia

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Na postagem anterior falamos de Edson Passetti com o qual marcamos uma entrevista para outubro próximo.

Passetti é Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP, Professor Assistente-Doutor do Departamento de Política da PUC-SP e Professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP.

Escreveu o livro Anarquismos e Sociedade de Controle, do qual retiramos alguns trechos, e transcrevemos abaixo.

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Na sociedade de controle o que poderia parecer diferente é semelhante, o avesso é cópia, a contundência é a conformidade na formalização. Assim, transitam trabalhadores eletrônicos de software e desempregados atendidos pelos efeitos da riqueza acumulada em serviços ou filantropias; faz-se aqui uma imitação do que se viu ali; a proliferação da contundência fashion de roupas, músicas, artes e estilos conforma-se ao elogio a uma existência múltipla, transitiva, efêmera que se torna incapaz de romper a programática, de irromper inventiva. Há múltiplas possibilidades de contestar para obter acesso à ordem. Trafega-se da contundência radical ao conformismo, mais de uma vez, por existência camaleônica. As cidades comportam seus centros descentralizados de produtividade, seus campos de confinamento e dormitórios, seus excessos populacionais, criminalidades em ascensão denunciadas pelas estatísticas sobre crescimento de violências e busca de qualidade de vida. As opções estão marcadas, para viver, trabalhar e viajar. Habitam, segundo os recursos materiais, condomínios fora das cidades (uma mesma periferia que aqui recebe um novo nome, que aparta e submete); pretendem acabar com epidemias originadas da insalubridade e que atravessam os cidadãos abarcando programas de saneamento em favelas, contando com a colaboração dos favelados — uma das formas de integrar o que aparta e submete.
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Resistir é um verbo que na sociedade de controle designa forças retrógradas, como as religiosas fundamentalistas, os terroristas do Oriente e Ocidente ou as políticas radicais. Tudo o que escapa da instituição da democracia representativa e midiática é alardeado como perigoso e autoritário, não como no passado, identificando e expondo razões adversárias, contudo agora desprezando, como se fossem inevitáveis entraves, mas incapazes de colocar a democracia em risco. Por certo, a democracia não é mais somente representativa. O recrutamento das candidaturas e do eleitorado também passa definitivamente pelos fluxos eletrônicos, incluindo o toque na própria urna para votar ou o sufrágio por meio do fluxo eletrônico, sem que o cidadão precise deslocar-se de sua residência, mais uma comodidade. No parlamento, na Internet ou na televisão interagem segmentos estratificados da população, políticos, âncoras jornalistas, comandantes de auditórios, regentes de programas temáticos, grupos em situações de risco, artificialmente criados visando fortalecer a estima, a força e a capacidade diplomática do indivíduo em programas diários ou semanais de televisão, enfocando liderança, sistema de privilégios e prêmio em dinheiro. Em todos eles exige-se a opinião do telespectador, sua participação. Ele que espia, se possível, diuturnamente a vida dos outros, no laboratório dos programas de TV e pelas notícias em cima do acontecimento. Internet e televisão passam a ser, neste caso, também locais de produção da verdade. O telespectador e o navegador estão sendo educados pela telerrealidade, alertou George Balandier. A democracia dos meios de comunicação, como também localizou Carlo Freccero, acaba funcionando como totalitarismo; não há respiração sequer para a reflexão, apenas o convite para participar e se filiar a uma corrente de opiniões.