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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mais Orwell...

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Hoje trago aqui uma pequena amostra, de pouco mais de quatro minutos, do documentário sobre como, ainda hoje, as situações que George Orwell narrava em seu livro 1984 estão atuais, na verdade, atualíssimas.
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O documentário se chama: Orwell se revira em seu caixão... forma sarcástica de mostrar que a situação atual no mundo, em determinados aspectos, pelo menos, está muito além do pessimismo (pretensamente exagerado) daquele inglês, que combateu os fascistas espanhóis comandados pelo Generalíssimo Franco.
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No trecho aborda-se particularmente a situação dos jornalistas e da imprensa, tangenciando as questões discutidas secularmente sobre poder, verdade, etc.
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O filme foi produzido por Robert Kane Pappas em 2004.

domingo, 22 de agosto de 2010

A Vigilância em Foucault e Orwell

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Hoje posto aqui duas formas de exposição acerca do estado de vigilância em que se encontra nossa sociedade. A primeira, acadêmica, faz parte de uma tese de doutorado de Marco Vinício Zimmer, da UFRS, onde ele toma de Michel Foucault algumas análises sobre a "sociedade disciplinar" que nos envolve ainda hoje. Com o título "O Panóptico está Superado ? Estudo Etnográfico sobre a Vigilância Eletrônica", a tese construída defende que o Panóptico, mediado pelas Novas Tecnologias da Informação, continua sendo válido e atual. A segunda forma de cunho artístico/jornalístico é um trecho de documentário sobre o livro "1984", de George Orwell. No documentário de Ned Judge, em co-produção da Discovery e TLC, se faz uma abordagem da vida de Orwell e de sua obra.

As referências de páginas da obra de Foucault no texto de Zimmer são da edição de 2004 do livro Vigiar e Punir.

Vejam ai, e até a próxima Quarta-Feira.

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A vigilância hierárquica se realiza de duas formas: a partir da explicitação do olhar sobre aqueles que são observados e “das pequenas técnicas das vigilâncias múltiplas e entrecruzadas, dos olhares que devem ver sem ser vistos” (p. 144). Foucault localiza a primeira forma de controle na disposição física das tendas em um acampamento militar ou nos quartos e mesas de refeições das escolas.

Já no contexto industrial, faz-se necessária uma outra forma de vigilância, devido aos incrementos de volume das forças de produção. O olhar “direto” do patrão não é suficiente para abarcar os grandes espaços, a enorme quantidade de trabalhadores que operam nesses locais. Esse novo tipo de controle “é realizado por prepostos, fiscais, controladores e contramestres (...) [e] leva em conta a atividade dos homens, seu conhecimento técnico, a maneira de tazê-lo, sua rapidez, seu zelo, seu comportamento” (p. 146).

Assim, “à medida que o aparelho de produção se torna mais importante e mais complexo, à medida que aumentam o número de operários e a divisão do trabalho, as tarefas de controle se fazem mais necessárias e mais difíceis” (FOUCAULT, 2oo4b, p. 146).

A vigilância, em todas as estruturas institucionais, seja de forma explícita ou implícita, viabiliza a disseminação do poder disciplinar, no que Foucault denomina a “microfísica do poder” (FOUCAULT, 2004a), qual seja, o estabelecimento de formas e de relações de poder em tudo, em todos e entre todos, não numa ótica dualista marxista (oposição capital - trabalho), mas sim permeando todo o tecido social, todas as formas de relacionamento entre os seres humanos. Para Foucault, o poder, em si, não é bom ou ruim, não é determinado a priori de forma negativa: ele “está”. Nas suas palavras, “temos que deixar de descrever sempre os efeitos de poder em termos negativos: ele “exclui”, “reprime”, “recalca”, “censura”, “abstrai”, “mascara”, “esconde". Na verdade o poder produz; ele produz realidade” (FOUCAULT, 2004b, p. 161). Assim, a vigilância
“permite ao poder disciplinar ser absolutamente indiscreto, pois está em toda parte e sempre alerta, pois em princípio não deixa nenhuma parte às escuras e controla continuamente os mesmos que estão encarregados de controlar; e absolutamente “discreto”, pois funciona permanentemente e em grande parte em silêncio” (FOUCAULT, 2004b, p. 148).
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domingo, 30 de maio de 2010

Relatos acerca da Sociedade da Vigilância (1ª Parte)

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Em Setembro de 2006 foi criado um Relatório para a Information Commissioner by the Surveillance Studies Network (uma rede de pesquisa sobre vigilância).

Segue parte dele logo abaixo.

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Parte A: Apresentando a Sociedade da Vigilância
1.1 - Nós vivemos na sociedade da vigilância. Não faz sentido usar um tempo futuro para falar sobre a sociedade da vigilância. Em todos os países ricos do mundo, a vida cotidiana é permeada de encontros vigiados, não apenas à luz do dia, mas 24 horas por dia, sete dias por semana. Alguns desses encontros interferem na nossa rotina, como quando recebemos uma multa por avançar o sinal vermelho sem que houvesse ninguém por perto, exceto por uma câmera. Mas a maioria desses encontros vigiados já faz parte do nosso dia a dia. Nem reparamos neles.
1.2 - Pensar nos termos da sociedade da vigilância é escolher um ângulo de visão, uma maneira de enxergar o mundo contemporâneo. É expor de maneira clara não apenas os encontros diários, como também os enormes sistemas de segurança que sustentam a existência moderna. Isso não se resume ao fato dos sistemas de circuito interno registrarem nossa imagem várias centenas de vezes por dia, ou dos caixas de supermercado pedirem nossos cartões de fidelidade, ou de precisarmos de um cartão de acesso codificado para entrar no escritório pela manhã. O que acontece é que esses sistemas representam uma infraestrutura básica e complexa, que presume que coletar e processar dados pessoais é algo vital para a vida contemporânea.
1.3 - De maneira convencional, falar na sociedade da vigilância é invocar algo sinistro, envolvendo ditadores e totalitarismo. Já vamos falar no Grande Irmão, mas a sociedade da vigilância é melhor compreendida como o resultado de práticas organizacionais modernas, dos negócios, do governo e do exército do que como uma conspiração secreta. A vigilância pode ser vista como um avanço rumo à administração eficiente, na visão de Max Weber, algo benéfico para o desenvolvimento do capitalismo ocidental e do estado-nação moderno.
1.4 - Certos tipos de vigilância sempre existiram: as pessoas se fiscalizam em prol do bem comum, por questões morais e para descobrir informações em sigilo. No entanto, há quatrocentos anos, métodos ‘racionais’ começaram a ser aplicados a práticas organizacionais, eliminando os controles e redes sociais informais dos quais dependiam os negócios e o governo. Os elos sociais comuns entre as pessoas se tornaram irrelevantes, de forma que as conexões familiares e as identidades pessoais deixaram de interferir no perfeito funcionamento dessas novas organizações. A boa notícia é que os cidadãos, e eventualmente os trabalhadores, poderiam ter a expectativa de que seus direitos fossem respeitados, já que eles eram protegidos por registros precisos e também pela lei.
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O "espírito" de vigilância como relatado acima, por pesquisadores como David Lyon e Kirstie Ball, está se disseminando pela sociedade. Uma das responsáveis por esta situação é a grande mídia televisiva. Dificilmente vemos alguma reportagem discutindo de forma crítica o aumento de câmeras ou outros dispositivos que podem ser a causa de boa parte da perda de nossas privacidades, e de um maior controle sobre nossas vidas por parte dos governos.

Na realidade, na maioria das vêzes, o que se percebe nas apresentações daqueles dispositivos de vigilância é uma leve (nem sempre tão leve) tendência a apresentar as suas "vantagens".

Como disse Pierre Bourdieu, "em um mundo dominado pelo temor de ser entediante e pela preocupação (quase pânico) de divertir a qualquer preço, a política está condenada a aparecer como um assunto ingrato, que se exclui tanto quanto possível dos horários de grande audiência, um espetáculo pouco excitante, ou mesmo deprimente...".

Trouxemos até aqui, como exemplo dessa tendência, uma reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo, do dia 26 de Maio passado.


Na Quarta-Feira continuamos com a apresentação do Relatório e mais exemplos de referências midiáticas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Orwell 25 anos depois

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A pedidos de alguns dos que navegaram por aqui segue o vídeo que originou a idéia do post anterior de domingo passado.

Está em inglês, mas dá para compreender (mesmo aqueles que não conhecem a língua) o que os autores desejavam quando o produziram, principalmente devido aos signos audiovisuais utilizados.



Domingo estou de volta.

domingo, 4 de abril de 2010

1984 só chegou 25 anos depois...

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O título desta postagem foi traduzido de um vídeo encontrado na Internet.

Aproveitei a idéia e fiz uma brincadeira audiovisual. Uma bricolagem de pequenos trechos de vídeos, disponíveis no YouTube.

Desculpem se me apropriei "indevidamente" do material. Mas acho que essa coisa de direitos autorais é bem discutível. Propriedade intelectual é algo discutível, principalmente dentro da Web.

Fiz a "coisa" com o Windows Movie Maker, sem qualquer precaução estética ou de cunho técnico.

Dentre os objetivos implícitos da exibição deste vídeo aqui neste blog pode estar mesmo o que a gente vem expondo aqui desde o ano passado: o exibicionismo... mas quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Affff... :-)

Brincadeiras a parte o produto que ora compartilho com aqueles que por aqui passam não deixa de ser uma crítica ao excesso de vigilância e tentativa de controle a que estamos sendo submetidos durante boa parte de nossas vidas.

Ai vai o resultado:.

 
Obs.: A música de fundo é do Eurythmics. Greetings from the Dead Man. A música fez parte da trilha sonora do filme 1984.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Na Onda do Big Brother

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Parece que o Big Brother está mesmo na moda. Ontem à noite terminamos de ver mais uma temporada do reality show mais famoso daqueles que colocam gente dentro de um local fechado, dezenas de câmeras e microfones, e haja vigilância, junto com uma determinada mistura de exibicionismo e voyeurismo.

Pena que nem todo mundo saiba de onde vem o termo Big Brother.

Nas postagens anteriores já falei aqui do autor do livro 1984, George Orwell. É dele a idéia de um Big Brother (Grande Irmão) que se encontra 24 horas por dia de olho em cada um dos habitantes da Inglaterra (no livro, denominada Oceania, junto com os Estados Unidos).

Foi com satisfação que vi na Internet e nas bancas as revistas Filosofia e Aventuras na História abordando justamente a obra de Orwell.

No artigo (capa da primeira revista) “Como Eles nos Controlam ?”, o Mestre em Filosofia Renato Bittencourt faz uma análise das obras de Orwell (1984) e de Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo). A partir das teorias de Michel Foucault acerca da Sociedade Disciplinar ele percebe como em ambos os livros os autores conseguem sintetizar a idéia de que “a aspiração utópica pela estabilidade social corre o risco de se tornar uma distopia”.

Bittencourt também percebe como, por exemplo, duas sociedades com propostas diferenciadas com relação ao sexo têm no final das contas os mesmos objetivos com relação ao controle sobre os indivíduos. O sexo em 1984 é censurado, inibido, castrado:

O projeto do Partido era eliminar todo prazer no ato sexual. A pulsão sexual era perigosa para o Partido, que a utilizava em interesse próprio. Tal dispositivo é um grande mecanismo para a ampliação do grau de tensão psíquica da massa, que, impedida de gozar e satisfazer os seus desejos, reprime os seus instintos e se aliena das suas capacidades transformadoras, tornando-se infeliz e submissa diante da autoridade de uma ideologia política vazia, que usa palavras de ordem e da manipulação de informações para concretizar o seu poder totalitário.
Enquanto isso, na sociedade criada por Huxley as práticas sexuais são incentivadas pelo Estado. A liberalidade sexual neste caso ao invés de representar uma situação positiva para os indivíduos se torna mesmo uma armadilha. Junto com uma droga (também liberada pelo Estado) chamada Soma, a “liberdade” sexual torna-se uma ferramenta de alienação e controle da população.

Já na revista Aventuras na História de Abril de 2010 (já nas bancas) encontramos também uma outra análise do livro de Orwell no artigo "O Grande Irmão está te Vigiando", escrito por Álvaro Opperman.

Neste artigo o autor faz um pequeno resumo da história do livro 1984, além de uma biografia reduzida de Orwell.

Ao final do artigo o autor faz uma ligação entre os BIG-BROTHERS de Orwell e o de John de Mol (criador da idéia do famoso reality show). A relação entre autoritarismo e voyeurismo é debatida. John de Mol tenta explicar que “na obra de Orwell é o governo que observa tudo através das câmeras – ele fala de autoritarismo e não de voyeurismo, como é o nosso caso”. Contradizendo esta opinião, Opperman cita o historiador Johann Huizinga para quem “uma das chaves para o sucesso dos regimes autoritários é estimular a bisbilhotice alheia”.

Isso nos faz lembrar das nossas conhecidíssimas ditaduras: Cuba e China, apenas como exemplo, quando até hoje uns deduram aos outros, e as prisões ainda ocorrem sem qualquer direito de defesa. Cuba até bem pouco tempo possuía um dos maiores e mais “brilhantes” esquemas de deduragem, os CDR (Centro de Defesa da Revolução) onde desde crianças os indivíduos eram treinados a identificar indícios de contestação ao regime, onde quer que fosse, nas suas escolas, e mesmo dentro de suas próprias casas.

Da mesma forma que Cuba levava seus “subversivos” aos paredões, nesses tempos de reality shows somos nós mesmos que temos o poder de levar aqueles que não nos agradam aos paredões midiáticos, conseguindo premiar tanto bastardos inglórios, quanto patricinhas legalmente loiras.

Volto a postar aqui novamente no Domingo.

domingo, 28 de março de 2010

Teletelas, Big Brothers e a Tecno-Democracia

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Trecho do Vídeo-Documentário acerca do livro 1984 escrito por George Orwell em 1948.
Produzido pela TLC, associada a Discovery.

Quem desejaria em sã consciência uma pequena “teletela” orwelliana em seu bolso, na figura de um celular de terceira geração ? Por que devemos aceitar tranquilamente que câmeras estejam a cada esquina direcionadas as nossas ações mais particulares ?

Alguns chamam a esta sensação de que todas estas questões nem precisam ser respondidas de naturalização de processos que na realidade são históricos, e têm uma origem, um objetivo. 

É preciso analisar onde está nos levando todo este processo de naturalização das tecnologias de controle e vigilância. Nortear-se através de uma ética humanista neste momento é mais do que necessário.

Na ditadura imposta pelo Ingsoc do livro de 1984 as pessoas não tinham muitas opções, nem qualquer direito a negar o que o Partido do Grande Irmão (Big Brother) desejava. Mas hoje ainda temos um pouco de possibilidades de resistir. E para isso é importante que entendamos um pouco o que é realmente o mundo em que vivemos.
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Primeiro de tudo percebermos que este é um mundo que tem história, onde alguns mandam, outros obedecem, e alguns ainda resistem. Mas isto não começou devido a uma ordem transcendental vinda do Cosmos. Como dizia o filósofo francês Michel Foucault:

a verdade é deste mundo; ela é produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua “política geral” de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros...
Se o atual regime de verdade nos direciona a acreditar na inexorabilidade do poder tecnológico, então tentemos compreender este regime e façamos com que mude. É possível mesmo usar toda parafernalha de convergência existente para mudar a atual “política geral” de verdade, particularmente através de trabalhos colaborativos, de pesquisa, propaganda e ação, e desenvolver uma via democrática para a inteligência coletiva, termo criado por outro filósofo, Pierre Levy.

Entender que as técnicas não determinam nada sozinhas, como percebe o próprio Pierre Levy, já é um bom começo. É necessário que todos possam compreender que as técnicas resultam de contextualizações e subjetivações históricas definidas e nada é inexorável na história.

 Levy também sustenta que nunca poderemos ter respostas absolutas às questões do conhecimento coletivo. Mas, ao contrário, sempre podemos desejar um mundo melhor para todos e procurar outras razões que não as do lucro, e outras belezas que não a do espetáculo, em busca do que ele chama de Tecno-Democracia.

Mas isto não acontecerá, afirma Levy, “a menos que renunciemos previamente à idéia de uma tecnociência autônoma, regida por princípios diferentes daqueles que prevalecem em outras esferas da vida social”.

Quarta-Feira volto a postar.