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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mídia, Controle e Guerras

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O vídeo a seguir é a primeira parte do filme que tem a direção de John Pilger. Um documentário que tenta explicar como a grande mídia (e seus proprietários) controla a sociedade, a partir da análise de como ela faz para iniciar e consolidar guerras.

domingo, 22 de agosto de 2010

A Vigilância em Foucault e Orwell

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Hoje posto aqui duas formas de exposição acerca do estado de vigilância em que se encontra nossa sociedade. A primeira, acadêmica, faz parte de uma tese de doutorado de Marco Vinício Zimmer, da UFRS, onde ele toma de Michel Foucault algumas análises sobre a "sociedade disciplinar" que nos envolve ainda hoje. Com o título "O Panóptico está Superado ? Estudo Etnográfico sobre a Vigilância Eletrônica", a tese construída defende que o Panóptico, mediado pelas Novas Tecnologias da Informação, continua sendo válido e atual. A segunda forma de cunho artístico/jornalístico é um trecho de documentário sobre o livro "1984", de George Orwell. No documentário de Ned Judge, em co-produção da Discovery e TLC, se faz uma abordagem da vida de Orwell e de sua obra.

As referências de páginas da obra de Foucault no texto de Zimmer são da edição de 2004 do livro Vigiar e Punir.

Vejam ai, e até a próxima Quarta-Feira.

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A vigilância hierárquica se realiza de duas formas: a partir da explicitação do olhar sobre aqueles que são observados e “das pequenas técnicas das vigilâncias múltiplas e entrecruzadas, dos olhares que devem ver sem ser vistos” (p. 144). Foucault localiza a primeira forma de controle na disposição física das tendas em um acampamento militar ou nos quartos e mesas de refeições das escolas.

Já no contexto industrial, faz-se necessária uma outra forma de vigilância, devido aos incrementos de volume das forças de produção. O olhar “direto” do patrão não é suficiente para abarcar os grandes espaços, a enorme quantidade de trabalhadores que operam nesses locais. Esse novo tipo de controle “é realizado por prepostos, fiscais, controladores e contramestres (...) [e] leva em conta a atividade dos homens, seu conhecimento técnico, a maneira de tazê-lo, sua rapidez, seu zelo, seu comportamento” (p. 146).

Assim, “à medida que o aparelho de produção se torna mais importante e mais complexo, à medida que aumentam o número de operários e a divisão do trabalho, as tarefas de controle se fazem mais necessárias e mais difíceis” (FOUCAULT, 2oo4b, p. 146).

A vigilância, em todas as estruturas institucionais, seja de forma explícita ou implícita, viabiliza a disseminação do poder disciplinar, no que Foucault denomina a “microfísica do poder” (FOUCAULT, 2004a), qual seja, o estabelecimento de formas e de relações de poder em tudo, em todos e entre todos, não numa ótica dualista marxista (oposição capital - trabalho), mas sim permeando todo o tecido social, todas as formas de relacionamento entre os seres humanos. Para Foucault, o poder, em si, não é bom ou ruim, não é determinado a priori de forma negativa: ele “está”. Nas suas palavras, “temos que deixar de descrever sempre os efeitos de poder em termos negativos: ele “exclui”, “reprime”, “recalca”, “censura”, “abstrai”, “mascara”, “esconde". Na verdade o poder produz; ele produz realidade” (FOUCAULT, 2004b, p. 161). Assim, a vigilância
“permite ao poder disciplinar ser absolutamente indiscreto, pois está em toda parte e sempre alerta, pois em princípio não deixa nenhuma parte às escuras e controla continuamente os mesmos que estão encarregados de controlar; e absolutamente “discreto”, pois funciona permanentemente e em grande parte em silêncio” (FOUCAULT, 2004b, p. 148).
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Relatos acerca da Sociedade da Vigilância (4ª Parte)

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Exponho hoje aqui os sub-itens do Relatório sobre Vigilância que definem os motivos pelo qual devemos entender a sociedade em que vivemos como uma Sociedade de Vigilância.

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3.5 - E o que dizer da vigilância como adjetivo, descrevendo um tipo de sociedade? De onde veio a ideia da sociedade da vigilância? Como era de se esperar, a ideia começou a aparecer após a primeira onda de computadorização das organizações nos anos 70. Na época, a principal metáfora era a do ‘Grande Irmão’ do famoso romance de George Orwell, 1984. Nos anos 80, vários estudos sérios foram escritos com base nos dos anos 701 e alguns começaram a usar o termo ‘sociedade da vigilância’. Gary T. Marx invocou 1984 no que foi a primeira referência da ciência social à ‘sociedade da vigilância’ em 1985, seguida pelos comentários de Oscar Gandy sobre o ‘controle social burocrático’ — uma referência ao trabalho de Max Weber, também atualizado para a era digital, e que também alertava para a ‘sociedade da vigilância’.
3.6 - Curiosamente, nossa imagem de vigilância por parte do estado costuma ser moldada por romances e filmes. Exemplos proeminentes são O Processo (1914) de Franz Kafka, no qual a figura enigmática de Josef K (o que aconteceu com o nome dele?) confronta acusadores desconhecidos com acusações pouco claras, ou 1984 (1948) de George Orwell, que pinta um quadro aterrorizante de uma vigilância detalhada e condenatória por parte do estado-nação, personificado pela imagem sinistra e assombrosa do ‘Grande Irmão’. Esses romances destacam o papel crucial da informação (ou da falta dela, da parte dos vigiados) em governos burocráticos, ao lado da constante ameaça do totalitarismo.
3.7 - Kafka e Orwell só não tinham como prever a ascensão dos computadores e a completa digitalização da administração. Afinal, o ‘chip de silício’ só surgiu trinta anos depois de 1984. Mas a partir dos anos 70, os computadores proporcionaram uma maciça expansão nas formas como a vigilância e o controle burocrático ocorriam. Ainda que os dilemas da vigilância sejam explorados brilhantemente em A Conversação (1974), o filme se baseia principalmente na vigilância convencional de áudio e escutas. Filmes mais recentes como A Rede (1995), Inimigo do Estado (1998) e Minority Report (2002) tratam mais diretamente da vigilância baseada em TI. No entanto, como os filmes são sensacionalistas, dependem de seu sucesso na exploração das capacidades tecnológicas, e não das consequências cotidianas da vida em sociedades vigiadas.
3.8 - Por isso é útil voltarmos às ciências sociais. Mesmo com as mudanças ocorridas nos negócios e nos governos desde a época de Weber — computadorização, redes, globalização e até mesmo o ‘gerenciamento de relacionamentos’ — os princípios básicos ainda se aplicam. É por isso que as visões de Weber sobre o mundo moderno da vigilância são tão significativas. Ele viu essa vigilância, mantendo registros detalhados, reunindo informações, limitando o acesso a pessoas qualificáveis, não como uma mera evidência do ‘progresso’, mas como profundamente ambígua. No pior dos quadros, ele previu que o mundo eficiente e sem alma da organização burocrática se tornaria uma ‘jaula de ferro’. As pessoas comuns se sentiriam aprisionadas em um sistema impessoal e que não se importa. Adicione a isso a indiferença maligna dos interrogadores de Josef K, ou os caprichos de um ditador implacável como o ‘Grande Irmão’, e o resultado será uma receita para a repressão.
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Se desejarem mais informações a respeito deste Relatório, ou uma leitura mais pormenorizada, devem ir ao link que segue:

surveillance_society_full_report_2006.pdf

Domingo estou de volta.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Paranóia ?

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Estou postando aqui hoje um pequeno trecho de 14 minutos do filme citado no domingo passado, Paranóia.

Ali é interessante percebermos como é tratado o assunto Vigilância, mais uma vez pelo diretor D.J.Caruso (o mesmo de Controle Absoluto).

No filme, um adolescente é incriminado por violência contra um professor, e é punido com prisão domiciliar, controlada a partir de uma perneira eletrônica.

Vejam o trecho do filme, e depois se possível assistam na totalidade. É bem legal. Principalmente por lembrar o antigo filme de Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta.


Até Domingo que vem.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vigilância e Construção de Perfis de Comportamento

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"Nos últimos 40 anos, aproximadamente, vemos crescer vertiginosamente a capacidade de monitoramento e coleta de dados sobre indivíduos em diversos setores: trabalho, habitação, consumo, saúde, comunicações, deslocamentos, segurança, entretenimento, vida social, vida privada, etc. Essa bulimia de dados individuais é notável também na proliferação de tecnologias que já incluem em seu funcionamento mecanismos de monitoramento e coleta de dados individuais: cartões de crédito e de fidelidade, telefonia móvel, etiquetas RFID, cartões de transporte, sistemas de geolocalização por satélite, navegações e buscas on-line, participação em redes sociais, jogos ou ambientes colaborativos na Internet etc. Os sistemas de informação e comunicação da cibercultura se tornam tecnologias de vigilância potenciais. Lessig (1999), interrogado sobre o que há de novo na vigilância da era computacional, responde que é a facilidade de estocar e recuperar informações que derivam do monitoramento cotidiano das ações dos indivíduos".
O texto acima faz parte dos estudos da Professora Fernanda Bruno, da UFRJ.

É possível encontrar discurso semelhante ao utilizado por ela no filme Controle Absoluto. Ali uma máquina se torna independente das ordens humanas (ver também Geração Proteu). Louca em defesa da constituição americana, como um MPU Cibernético, a tal máquina consegue, a partir de dados digitalizados encontrados em todos os locais possíveis, controlar determinadas pessoas, prevendo suas ações e manipulando-as no caminho de seus objetivos.
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Em resenha na Internet alguns dizem ser uma ficção futurista sem compreender que todo aparato e dispositivos mostrados no filme já estão a disposição dos governos e de grandes empresas (e também de indivíduos solitários).

Câmeras inteligentes em metrôs já podem "prever" se algum indivíduo vai tentar o suicídio. Compras de cartão de crédito deixam claro até mesmo opções sexuais. Informações do Orkut ou Facebook permitem identificar comportamentos de grupos, de simples torcedores de times de interior a terroristas.

No filme, felizmente, os mocinhos vencem. Indicando que sempre é possível resistir.

domingo, 1 de novembro de 2009

Arte, Vigilância e Controle

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George Orwell nos alertou em 1948, no seu livro “1984”, sobre as possibilidades de existência de um mundo totalitário, onde os Estados concentrariam todo poder político, e os indivíduos seriam controlados com o auxílio da aparelhagem tecnológica existente ali naquele mundo.

A cena em que ele descreve a chamada Teletela é apenas uma amostra daquele mundo.
Por trás de Winston a voz da teletela ainda tagarelava a respeito do ferro gusa e da superação do Nono Plano Trienal. A teletela recebia e transmitia simultaneamente. Qualquer barulho que Winston fizesse, mais alto que um cochicho, seria captado pelo aparelho; além do mais, enquanto permanecesse no campo de visão da placa metálica, poderia ser visto também. Naturalmente, não havia jeito de determinar se, num dado momento, o cidadão estava sendo vigiado ou não.(ORWELL, George. 1984. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. Pag.6)
Artistas, poetas, escritores são bons nesta arte de prever esse tipo de futuro sombrio. Antes de Orwell muita gente já havia percebido que a tecnologia (que dá tantas esperanças ao ser humano, no sentido de tornar o mundo mais seguro para viver, diminuindo as dificuldades naturais a que é exposto) poderia se virar contra o criador.

Mary Shelley, no início do Séc. XIX, com seu “Frankenstein”, talvez tenha sido a primeira a perceber aonde poderíamos chegar na busca incessante da ciência por novidades que melhorassem nossas vidas. Charles Chaplin, em 1936, já havia também mostrado ao mundo como a tecnologia desumanizava os indivíduos em “Tempos Modernos”. Ideia muito bem elaborada na sequência em que o personagem principal é engolido pelas engrenagens da fábrica. “Metropolis”, filme dirigido por Fritz Lang em 1927, “Admirável Mundo Novo”, escrito por Aldous Huxley em 1931... e tantas outras obras escritas e/ou filmadas também são exemplos daquilo que pode ser conceituado como Utopias Negativas, ou Distopias.

Ray Bradbury na sua obra “Fahrenheit 451”, publicada em 1953, como um outro exemplo de distopia, baseia-se no mundo norte-americano dos anos 50, com a perseguição do McCarthyismo, para criar um outro mundo futuro em que a TV e os Mass Media substituem as relações familiares e sociais, e a tecnologia torna-se cada vez mais eficiente e opressiva . Assim, naquele mundo controla-se o que se lê, e no fim das contas, o que se pode pensar.

A vigilância constante e eficiente é, em boa parte das obras aqui relacionadas, elemento fundamental no controle das sociedades idealizadas.

Vejam a seguir o trecho do filme baseado no livro 1984, com Jonh Hurt fazendo o papel do angustiado Winston (e o saudoso Richard Burton como seu algoz, no último papel antes de falecer). O trecho em si já trás um pouco do que pode ser compreedido como um mundo totalitário comandado pela perspectiva de estar sempre observado, sem qualquer privacidade.



Este ano começou a ser comercializado o DVD referente a aquele filme, após uma longa e ansiosa espera. O DVD está sendo vendido na loja Submarino. O livro também está a venda: Buscapé.

Quarta-Feira estarei por aqui de novo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Justificando um Vídeo-Documentário

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Desde filmes como Nannok, o Esquimó, em 1922, de Robert Flaherty, ou The Drifters, de John Grierson, em 1929, que o cinema documentário adquire a característica de “filme ideológico”, isto é, filme com propósitos sociais e políticos.

Quando se propõe aqui a criação de um vídeo-documentário sobre Vigilância e Controle Social é justamente na perspectiva de dar continuidade a aquelas propostas. Propostas potencializadas pelo surgimento de novas tecnologias, criando novas possibilidades de convergência entre o vídeo e a internet, por exemplo.

Constrói-se assim uma ferramenta interativa e cooperativa, que auxilie no desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais democrática, com o conhecimento sendo compartilhado de forma mais igualitária.

Neste sentido recorre-se a Umberto Eco (Como se faz uma Tese, Edt. Perspectiva, 1995) para justificar a escolha por um suporte e um conteúdo que tenham a ver com os desejos e necessidades pessoais do pesquisador. Ou seja, qualquer que seja o tema de uma pesquisa, ela deverá responder aos interesses e atitudes religiosas, políticas e culturais do pesquisador.

Mas além do interesse pessoal há outras motivações.

Não necessariamente em ordem crescente de importância: relevância, originalidade e viabilidade.

A ideia de relevância surge na própria conotação jornalística da pesquisa e do futuro produto. Não é difícil se compreender a importância de estarmos analisando um tema que quase diariamente está em contato com nossas vidas, mesmo que não percebamos (como se conclui a partir das respostas a questionário citado em postagem anterior). E estudando o tema estaremos nos permitindo compreender suas vantagens e desvantagens, possibilitando nos defender de eventuais (talvez não tão eventuais assim) desvios de intenções.

Foi efetuada uma pesquisa de similares e não se encontrou qualquer produto que tivesse tanto o conteúdo quanto o suporte semelhante ao que se deseja construir. Isso confirma a originalidade do produto, outro motivo para sua criação.

Já existem revistas online (em inglês) debatendo a questão da vigilância e suas conseqüências. Existem vídeos discutindo outros temas e dentro deles a vigilância, transversalmente. Mas nenhum vídeo-documentário com o tema escolhido. Quanto a construção de um blog traçando o desenvolvimento de um vídeo foi encontrado apenas um similar.

Também deverá ser um trabalho viável. Tanto com relação ao tempo disponível para a pesquisa, quanto pela acessibilidade de fontes, e implantação dos suportes (vídeo e blog).

Viabilidade também econômica. O blog está agora hospedado em local gratuito. O vídeo-documentário terá como custos uma ou outra viagem que será efetuada para gravação de entrevistas com especialistas que trabalhem com o tema escolhido. Outros custos materiais serão irrisórios. Sua publicação se dará em site também gratuito, como YouTube, ou Vimeo.

Domingo que vem estarei de volta.