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domingo, 16 de janeiro de 2011

Orwell e Huxley estavam certos

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2011: A Brave New Dystopia
by Chris Hedges


As duas grandiosas visões sobre uma futura distopia foram as de George Orwell em 1984 e de Aldous Huxley em Brave New World. O debate entre aqueles que assistiram nossa decadência em direção ao totalitarismo corporativo era sobre quem, afinal, estava certo. Seria, como Orwell escreveu, dominado pela vigilância repressiva e pelo estado de segurança que usaria formas cruas e violentas de controle? Ou seria, como Huxley anteviu, um futuro em que abraçariamos nossa opressão embalados pelo entretenimento e pelo espetáculo, cativados pela tecnologia e seduzidos pelo consumismo desenfreado? No fim, Orwell e Huxley estavam ambos certos. Huxley viu o primeiro estágio de nossa escravidão. Orwell anteviu o segundo.

Temos sido gradualmente desempoderados por um estado corporativo que, como Huxley anteviu, nos seduziu e manipulou através da gratificação dos sentidos, dos bens de produção em massa, do crédito sem limite, do teatro político e do divertimento. Enquanto estávamos entretidos, as leis que uma vez mantiveram o poder corporativo predatório em cheque foram desmanteladas, as que um dia nos protegeram foram reescritas e nós fomos empobrecidos. Agora que o crédito está acabando, os bons empregos para a classe trabalhadora se foram para sempre e os bens produzidos em massa se tornaram inacessíveis, nos sentimos transportados do Brave New World para 1984. O estado, atulhado em déficits maciços, em guerras sem fim e em golpes corporativos, caminha em direção à falência.
Orwell nos alertou sobre um mundo em que os livros eram banidos. Huxley nos alertou sobre um mundo em que ninguém queria ler livros. Orwell nos alertou sobre um estado de guerra e medo permanentes. Huxley nos alertou sobre uma cultura de prazeres do corpo. Orwell nos alertou sobre um estado em que toda conversa e pensamento eram monitorados e no qual a dissidência era punida brutalmente. Huxley nos alertou sobre um estado no qual a população, preocupada com trivialidades e fofocas, não se importava mais com a verdade e a informação. Orwell nos viu amedrontados até a submissão. Mas Huxley, estamos descobrindo, era meramente o prelúdio de Orwell. Huxley entendeu o processo pelo qual seríamos cúmplices de nossa própria escravidão. Orwell entendeu a escravidão. Agora que o golpe corporativo foi dado, estamos nus e indefesos. Estamos começando a entender, como Karl Marx sabia, que o capitalismo sem limites e desregulamentado é uma força bruta e revolucionária que explora os seres humanos e o mundo natural até a exaustão e o colapso.

O partido busca todo o poder pelo poder, Orwell escreveu em 1984. Não estamos interessados no bem dos outros; estamos interessados somente no poder. Não queremos riqueza ou luxo, vida longa ou felicidade; apenas poder, poder puro. O que poder puro significa você ainda vai entender. Nós somos diferentes das oligarquias do passado, já que sabemos o que estamos fazendo. Todos os outros, mesmo os que se pareciam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos chegaram perto pelos seus métodos, mas eles nunca tiveram a coragem de reconhecer seus próprios motivos. Eles fizeram de conta, ou talvez tenham acreditado, que tomaram o poder sem querer e por um tempo limitado, e que logo adiante havia um paraíso em que os seres humanos seriam livres e iguais. Não somos assim. Sabemos que ninguém toma o poder com a intenção de entregá-lo. Poder não é um meio; é um fim. Ninguém promove uma ditadura com o objetivo de assegurar a revolução; se faz a revolução para assegurar a ditadura.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vigilância pelas Câmeras

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Reportagem do Jornal Em Cima da Hora, do Canal Globo News, do dia 07 de Janeiro de 2010.

Nela o repórter Rafael Coimbra faz um pequeno resumo sobre como as câmeras se inserem em nosso mundo atual, e, de uma forma aparentemente isenta, revela o que vem junto com ela de útil (combate a criminalidade) e de ruim (invasão de privacidade).

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Relatos acerca da Sociedade da Vigilância (4ª Parte)

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Exponho hoje aqui os sub-itens do Relatório sobre Vigilância que definem os motivos pelo qual devemos entender a sociedade em que vivemos como uma Sociedade de Vigilância.

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3.5 - E o que dizer da vigilância como adjetivo, descrevendo um tipo de sociedade? De onde veio a ideia da sociedade da vigilância? Como era de se esperar, a ideia começou a aparecer após a primeira onda de computadorização das organizações nos anos 70. Na época, a principal metáfora era a do ‘Grande Irmão’ do famoso romance de George Orwell, 1984. Nos anos 80, vários estudos sérios foram escritos com base nos dos anos 701 e alguns começaram a usar o termo ‘sociedade da vigilância’. Gary T. Marx invocou 1984 no que foi a primeira referência da ciência social à ‘sociedade da vigilância’ em 1985, seguida pelos comentários de Oscar Gandy sobre o ‘controle social burocrático’ — uma referência ao trabalho de Max Weber, também atualizado para a era digital, e que também alertava para a ‘sociedade da vigilância’.
3.6 - Curiosamente, nossa imagem de vigilância por parte do estado costuma ser moldada por romances e filmes. Exemplos proeminentes são O Processo (1914) de Franz Kafka, no qual a figura enigmática de Josef K (o que aconteceu com o nome dele?) confronta acusadores desconhecidos com acusações pouco claras, ou 1984 (1948) de George Orwell, que pinta um quadro aterrorizante de uma vigilância detalhada e condenatória por parte do estado-nação, personificado pela imagem sinistra e assombrosa do ‘Grande Irmão’. Esses romances destacam o papel crucial da informação (ou da falta dela, da parte dos vigiados) em governos burocráticos, ao lado da constante ameaça do totalitarismo.
3.7 - Kafka e Orwell só não tinham como prever a ascensão dos computadores e a completa digitalização da administração. Afinal, o ‘chip de silício’ só surgiu trinta anos depois de 1984. Mas a partir dos anos 70, os computadores proporcionaram uma maciça expansão nas formas como a vigilância e o controle burocrático ocorriam. Ainda que os dilemas da vigilância sejam explorados brilhantemente em A Conversação (1974), o filme se baseia principalmente na vigilância convencional de áudio e escutas. Filmes mais recentes como A Rede (1995), Inimigo do Estado (1998) e Minority Report (2002) tratam mais diretamente da vigilância baseada em TI. No entanto, como os filmes são sensacionalistas, dependem de seu sucesso na exploração das capacidades tecnológicas, e não das consequências cotidianas da vida em sociedades vigiadas.
3.8 - Por isso é útil voltarmos às ciências sociais. Mesmo com as mudanças ocorridas nos negócios e nos governos desde a época de Weber — computadorização, redes, globalização e até mesmo o ‘gerenciamento de relacionamentos’ — os princípios básicos ainda se aplicam. É por isso que as visões de Weber sobre o mundo moderno da vigilância são tão significativas. Ele viu essa vigilância, mantendo registros detalhados, reunindo informações, limitando o acesso a pessoas qualificáveis, não como uma mera evidência do ‘progresso’, mas como profundamente ambígua. No pior dos quadros, ele previu que o mundo eficiente e sem alma da organização burocrática se tornaria uma ‘jaula de ferro’. As pessoas comuns se sentiriam aprisionadas em um sistema impessoal e que não se importa. Adicione a isso a indiferença maligna dos interrogadores de Josef K, ou os caprichos de um ditador implacável como o ‘Grande Irmão’, e o resultado será uma receita para a repressão.
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Se desejarem mais informações a respeito deste Relatório, ou uma leitura mais pormenorizada, devem ir ao link que segue:

surveillance_society_full_report_2006.pdf

Domingo estou de volta.