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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Novas Narrativas para uma Reportagem Audiovisual

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O texto a seguir faz parte de um pequeno artigo (6 páginas) produzido para a disciplina Telejornalismo na Era Digital, no Curso de Pós-Graduação de Jornalismo e Convergência Midiática. O link ao final deste texto leva ao artigo completo.

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André Lemos usou o termo Liberação do Pólo Emissor para demonstrar o quanto novas tecnologias do mundo da informática conseguiriam trazer uma maior democratização nas comunicações. Antes da Internet (blogs, chats, redes sociais) as comunicações no mundo real ocorriam através de mídias controladas, ou por grandes corporações, ou pelo Estado. Pouco, muito pouco mesmo, sobrava para alguma comunicação pública alternativa, ou comunitária.

Até início dos anos 2000 a tendência de concentração de poder nas mãos de poucas empresas era indubitável. Hugh Hewitt mostra como em um intervalo de tempo de 20 anos poucas corporações conseguem aquela concentração. Não seria difícil confirmarmos aquela informação ao nos depararmos com o fenômeno de concentração que ocorre no próprio Brasil. Mesmo dentro da própria Internet podemos compreender isso.

Em meados dos anos 90, aqui na Bahia, tínhamos vários provedores pipocando para oferecer serviços de acesso à Internet. Era o período em que tínhamos que nos contentar com velocidades de transmissão de dados de 9.600 bytes por segundo (bps). Apenas como exemplo é possível se lembrar da “E-Net” e da “Servnet”. Até o final dos anos 90 aquelas pequenas empresas regionais foram pouco a pouco sendo fechadas e/ou devoradas pelas grandes empresas de comunicação já existentes.

Globo, UOL, Terra... Todas tentando iniciar novo oligopólio nas novas formas de comunicação, na World Wide Web. Tanto como provedores de sinal quanto como provedores de informação através de seus portais que abocanhariam a maior parte da audiência na Internet, como já o fizeram com as outras mídias, tanto eletrônicas (TV e Rádio) quanto com os meios de comunicação impressos.

Pelo mundo a fora se pode perceber a mesma concentração. A Viacom, por exemplo, consegue, com outras poucas empresas, deter boa parte do provimento de comunicação e informação: desde lojas de empréstimos de fitas VHS e depois DVD e Blue-Ray, passando pela propriedade de estúdios de cinema, indo até a possibilidade de construção de identidades através de canais de TV conhecidos mundialmente, como o MTV.

Da mesma forma que acontecera quando do aparecimento do Rádio, da TV, da TV a Cabo, a aparente democratização que a Internet traria para os meios de comunicação começava a se dissolver devido tanto à formação dos monopólios dentro do mundo da informática (Microsoft, Google, IBM), quanto da dificuldade de inserção e construção de espaços dentro da rede. As ferramentas de construção de sites, por exemplo, eram privilégio de iniciados em linguagens não muito fáceis de digerir como o HTML.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mídia & Controle Social I

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"Ir para onde está o silêncio. Esta é a responsabilidade de um jornalista: dar voz àqueles que foram esquecidos, abandonados, afastados pelo poder. Essa é a melhor razão que conheço para carregar nossas canetas, câmeras e microfones em nossas próprias comunidades e pelo mundo afora". Esta é uma citação do livro Corrupção à Americana, de Amy Goodman, Editora Bertrand Brasil, publicado em 2005. .

Concordo completamente com a autora, jornalista da organização Democracy Now, que faz uma crítica feroz ao atual governo americano, com relação a sua presença no Iraque, e a governos anteriores, acerca da posição americana quanto ao Timor Leste, por exemplo. .

Mas, obviamente, isto é uma escolha. É a partir dessas escolhas que o jornalista constrói sua agenda de notícias e assuntos a serem debatidos em seus textos. E, quando falo de escolhas, também falo de escolhas editoriais, que, normalmente, refletem as posições dos editores ou proprietários dos jornais. .

Vou me aproveitar mais uma vez da revista semanal Época, de 21 de maio de 2007, para demonstrar como penso que isso funciona de uma forma prática e rotineira. Peguei essa revista e me fixei a seus colunistas ("Nossos Colunistas"). Gustavo Franco, Max Gehringer, Fareed Zakaria e Ricardo Freire. .

Tive a impressão, ao terminar de ler os quatro artigos, de estar vivendo em um mundo de uma só direção. Talvez o chamado mundo de um só pensamento. Os títulos já demonstram boa parte do que será o resto do texto: Sete idéias ruins para jogar fora; O fruto do trabalho... alheio; É errado ter medo do livre-comércio; e finalmente, Os segredos para voar pagando pouco. 

Em todos os artigos é possível perceber que seria bom para o mundo que o Deus Mercado fosse respeitado, que as leis trabalhistas fossem flexibilizadas, que se deve desonerar as empresas privadas dos impostos, que os trabalhadores devem competir dentro das empresas para que vença o melhor... 

Se agregarmos a isso algumas das entrevistas, teremos pérolas de defesa do sistema neoliberal, onde o que importa é a livre competição que sempre trará, na opinião dos entrevistados, o progresso e o sucesso. Como em trecho da entrevista de Ian Bremmer, onde ele diz que "há uma crescente convergência entre esquerda e direita no país sobre a necessidade de conduzir reformas no sistema de aposentadorias e nas finanças públicas". Dá prá perceber pelo resto do texto que a "convergência" a que ele se refere é aquela que tira os direitos dos trabalhadores e, mais uma vez, desonera um tal de "Custo Brasil". 

Tudo bem que a revista não é nenhum órgão de imprensa de agrupamento de esquerda, mas bem que eu gostaria de, de vez em quando, ler opiniões contrárias a toda essa linha editorial, que privilegia os textos pró-reformas, esquecendo-se dos "esquecidos e abandonados" trabalhadores. 

Outro dia uma professora me disse que eu estava muito pessimista a respeito do mundo, pois privilegiei, em projeto de pesquisa, algumas citações que viam o mundo num beco quase sem saída. Mas não é essa uma das maneiras de começarmos a querer uma mudança ? 

Para encerrar este post deixo aqui uma daquelas citações, que admiro pela simplicidade e clareza, de Ignácio Ramonet, diretor-presidente do Le Monde Diplomatique, encontrada no livro Ensaios sobre o Neoliberalismo, da Editora Loyola: 

"Nas democracias atuais, cada vez mais cidadãos livres sentem-se atolados, lambuzados por um tipo de doutrina viscosa que, imperceptivelmente, envolve todo raciocínio rebelde, inibi-o, desorganiza-o, paralisa-o e termina por asfixiá-lo. Essa doutrina constitui o 'pensamento único', única autorizada por um invisível e onipresente controle de opinião". 

Texto originalmente postado no blog
em Maio de 2007

domingo, 19 de dezembro de 2010

Afinal, para que servem os Totens ?

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No mês de Junho deste ano fomos surpreendidos, os soteropolitanos, com alguns novos elementos na paisagem de algumas de nossas praias. Eram os agora conhecidos como Totens Publicitários, que têm em seus corpos propagandas diversas, acompanhadas de informações como Temperatura Ambiente, Hora, Índice de Proteção Solar, e também de Sinal de Internet (para aparelhos que tenham a tecnologia sem fio – Wireless). Em alguns dos totens também foram instaladas câmeras de vigilância.

Estes totens já haviam sido instalados também nas cidades de Florianópolis e Rio de Janeiro. Aqui foram recebidos pelos jornais com algumas reportagens. Todas eram quase como cópias de releases da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (SUCOM).

Infelizmente aquelas reportagens não se interessam em investigar as mínimas informações que poderiam servir ao público. Como, por exemplo, questões técnicas a respeito da medida de proteção da pele contra os raios ultravileta. Os números 15, 30 ou 50 não aparecem a toa. E aquelas medições são baseadas em alguma norma? Seriam aferidas em determinados intervalos de tempo para saber se estão de acordo com o especificado por norma? Afinal de contas, aquela informação é uma questão de saúde.

Outra questão também pouco explicada, tanto pelos jornais, quanto pela SUCOM, é a respeito do monitoramento por câmeras de vigilância. Para a SUCOM em seu site na Internet os totens também garantem segurança justamente “por causa das câmeras que filmam o transito e toda movimentação num ângulo de 90° nas proximidades do aparelho”.


Quanto a este tema foram enviadas ainda no mês de junho algumas questões para a Assessoria de Comunicação da SUCOM. Discutiu-se a respeito da violação da privacidade das pessoas filmadas? Quem seria responsável por ver as imagens? Elas seriam gravadas, poderiam ser vistas por qualquer pessoa que as solicitasse?

A SUCOM respondeu:

A questão foi debatida, tendo sido decidido que as câmeras ficarão ligadas 24 horas, tendo como base o entendimento da SUCOM de que o interesse público (segurança e mobilidade) deve prevalecer sobre o privado. As câmeras serão instaladas em lugares estratégicos que possibilitem captar imagens especialmente em calçadas e ruas. Com o objetivo de preservar a intimidade das pessoas, não serão filmados os rostos das pessoas na areia da praia ou do mar.”

Não encontramos mais notícias dos totens até Outubro, quando o site de Samuel Celestino informa que o Ministério Público acionou a SUCOM por supostas irregularidades técnicas na contratação dos equipamentos. A SUCOM se defendeu no mesmo dia da denúncia explicando como se deu a contratação. E depois disso apenas silêncio.


Os totens estão hoje em funcionamento. Fizemos uma visita a alguns deles na área do Jardim de Alá, uma das praias de Salvador. Vimos dois deles com a existência de câmeras, apontadas para o tráfego da Avenida Octávio Mangabeira.

Aproveitamos o sábado de pouco sol e fomos ver o que a população acha dos totens.


Quem quiser informações “oficiais” a respeito dos totens pode ligar para os telefones 2201-6900 e 2201-6660 (SUCOM). Quem sabe, com sorte, os atendentes até consigam dar a senha para o uso da rede Wireless nos Notebooks pessoais ou Smartphones que por ventura levemos para a praia. Tentamos abrir a Internet lá na praia, mas não fomos felizes na empreitada.

Finalmente, uma das pequenas entrevistas que fizemos na praia nos fez perceber que na Bahia o importante é não se deixar estressar. Trouxemos a entrevista para aqueles que navegam por aqui tenham a mesma oportunidade que tivemos.


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Esta postagem foi construída coletivamente por Yuri Abreu, Carlos Baqueiro e Newton Magalhães, fazendo parte das avaliações da disciplina Telejornalismo na Era Digital, do Curso de Pós-Graduação em Jornalismo e Convergência Midiática, da Faculdade Social da Bahia.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Controle que vem da Tela

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Olá, nobre visitante,

Hoje foi um dia bem puxado. Só consegui abrir o blog agora (23:15 h) para atualizá-lo.

Como não quero perder o padrão de atualização (quartas e domingos) encontrei um texto que escrevi há alguns anos em um boletim chamado Mídia Rebelde, produzido por um grupo de amigos e colegas da faculdade de jornalismo, e faço a postagem dele hoje aqui.

Espero que gostem. E até o próximo domingo.

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MUITO ALÉM DOS TELEJORNAIS


Por que os telejornais, de uma maneira geral, são tão parecidos, tanto na forma, quanto no conteúdo?

Se fizermos uma amostragem diária daqueles jornais podemos perceber, por exemplo, que poucas notícias e abordagens dos fatos do dia se diferenciam umas das outras. Temos assim a impressão de que a importância dos acontecimentos (e sua transformação em notícia) têm igual valor para todos os canais. Ou melhor esclarecendo, percebe-se que todos os canais de TV tem visões de mundo bastante parecidas, e assim pretendem repassá-la aos telespectadores.

Se no conteúdo as coisas são assim, na questão de formato as semelhanças são mais aviltantes. Todos os jornais têm seus blocos delineados de uma mesma forma, com as notícias sendo passadas rápida e superficialmente.

Esse modelo é tão sistêmico que podemos encontrar, por exemplo, no Manual de Assessoria da Câmara Federal a informação de que para um jornal de TV é “necessário” ao jornalista ser o mais “claro e conciso” possível, não sendo correto que o mesmo externe suas opiniões. Seguindo este procedimento padrão os telejornais têm dentro de seus blocos notícias de parcos 2 minutos, no máximo. Dentro de amostragem efetuada, em determinados dias, a média de tempo das notícias pode chegar a apenas 1 minuto!

Alguns especialistas da área de comunicação criticam violentamente este modelo de jornalismo. Pierre Bourdieu, sociólogo francês, no livro Sobre a Televisão, publicado no Brasil, criticou e atacou os jornalistas franceses por defenderem e aplicarem aquela visão de comunicação, fenômeno chamado por ele de “fast thinking”, o qual, segundo o próprio Bourdieu, faz com que os telespectadores se acostumem a receber informações sempre em blocos, rápida e descontextualizadamente, perdendo assim a capacidade de compreender os acontecimentos como elementos de um elo maior, e vendo a vida cada dia mais como apenas um “espetáculo” com fatos soltos e dispersos.

Em Salvador, se assistirmos ao Bahia Meio-Dia, Jornal da Manhã, Aratu Notícias, Página 1, entre outros, veremos que se diferenciam apenas pela qualidade técnica. Alguns pelo colorido mais bonito, ou pelas imagens sem riscos e sombras. Alguns deles com apresentadores impecáveis (com direito à maquiagem e tudo mais), até com ternos alugados de boas lojas. Câmeras digitais, som estéreo, etc...

Porém, e infelizmente, todos com o mesmo tratamento superficial e pobre dado às notícias, talvez com medo de que o espectador inicie, a partir de abordagens mais refinadas, um processo de reflexão, e se mobilize, em busca de mudanças muito além da TV.

Texto publicado em Mídia Rebelde, Março de 2006

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Invasões, Invasões...

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Esses últimos dias tenho lido o livro Modernidade Líquida (2000) de Zygmunt Bauman. O autor, sociólogo polonês, faz ali uma grande viagem, tão pessimista quanto Giles Deleuze foi no começo dos anos 90, em torno de como nos encontramos, nós humanos, numa condição em que parece que as correntezas estão mais fortes do que nunca.

O que chamamos de correntezas nada mais são do que padrões sociais, cada vez mais homogêneos, e com poucas possibilidades de fuga do emaranhado formado. Para ele, confirmando os desejos de idealistas do Sec. XIX, os sólidos se desmancharam no ar, mas, para a infelicidade de muitos, sedimentou-se uma nova ordem, líquida, mas paradoxalmente, tão ou mais rígida que as ordens anteriores.

Podemos perceber o quanto Bauman considera rígidas as novas "leis" sociais desde o começo do livro. Didaticamente ele afirma que "se o tempo das revoluções sistêmicas passou, é porque não há edifícios que alojem as mesas de controle do sistema, que poderiam ser atacados e capturados pelos revolucionários".
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Assim dentre os sólidos que se desejariam derreter neste momento não estariam incluídos o cada vez maior individualismo, a uniformização cultural, e o endeusamento cada vez maior da mercadoria, somente como exemplos.

Caco Barcelos em seu programa semanal da Rede Globo na última Terça-Feira (30 de Novembro) me fez repensar sobre aquelas ideias de Bauman. Na reportagem os "novos" jornalistas do programa Profissão Repórter da Globo fazem uma inserção completa sobre os dias finais da ocupação de um prédio, antigo hotel, no centro da cidade de São Paulo, na bem conhecida, de muitos brasileiros, Avenida Ipiranga, graças a música de Caetano Veloso.

É possível se ver dentro da reportagem elementos que tanto reforçam quanto podem refutar as teorias do sociólogo polonês. A própria reportagem, por exemplo, pode representar uma brecha de resistência a homogeinização quase absurda que impera no jornalismo aqui no Brasil (vide as reportagens do último final de semana sobre a "Guerra contra o Tráfico" no Rio de Janeiro).

Ver o corre-corre dos repórteres junto com membros da comunidade criada com a ocupação, desde a madrugada, quando se procurava comida nas feiras, passando pelo périplo de adultos e crianças, uns em direção às escolas e outros às filas de emprego, e chegando ao final, observando o rosto entristecido do repórter no momento da invasão policial no prédio (chamada eufemisticamente de desocupação, ou reintegração de posse), me fizeram ter esperança em um jornalismo positivo (não lembrei de outro termo para qualificar um jornalismo desse tipo).

Espero que o trecho da reportagem (ela completa se encontra no portal da Globo.com) que coloquei ai em cima na postagem de hoje faça com que aqueles que navegam por este blog também reflitam sobre o que se deseja para o mundo e para as pessoas que nele residem. E quem sabe os versos de Caetano também ajudem nessa reflexão:

"Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João...".

domingo, 14 de novembro de 2010

Vigilância reduz criminalidade ?

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As informações abaixo e o gráfico acima fazem parte do trabalho chamado "Measuring the Effects of Video Surveillance on Crime in Los Angeles", produzido por California Research Bureau.

Os índices de criminalidade, a vídeo-vigilância e seus gastos na Califórnia
Enquanto a utilização da video-vigilância pela aplicação da lei aumentou, a criminalidade em geral na Califórnia manteve-se relativamente estável, e, em alguns casos, diminuiu. Em 2006, o estado teve 518 crimes violentos e 1.889 crimes contra a propriedade por 100.000 habitantes (California Department of Justice, 2006). Em comparação com outros estados, a Califórnia se classifica em 25º lugar na taxa de criminalidade por 100.000 habitantes (United States Department of Justice, 2005).
A taxa de crimes violentos na Califórnia aumentou 1,2 por cento em 2006, este foi o primeiro aumento em 13 anos (California Department of Justice, 2006). Em contraste, a taxa de crimes contra o patrimônio tem aumentado continuamente desde 1999.
A prevenção da criminalidade continua a influenciar tanto as mentes da população quanto o orçamento do Estado. Uma pesquisa feita em 2006 pela Ralph Lewis Goldy e Centro Regional de Estudos Políticos da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), indicou que o crime foi o segundo assunto mais importante entre os moradores do sul da Califórnia neste ano (SCS Fact Sheet 2006).
Imaginando, como gostam de fazer historiadores da Idade Média, que a partir do ano 2001 a quantidade de câmeras de vigilância têm se multiplicado nas cidades americanas, além de ter a evidência de que crimes contra a propriedade aumentaram e se estabilizaram, conforme o gráfico mostra, é possível identificar um descolamento entre vigilância e criminalidade. Ou seja, não é necessariamente o aumento da quantidade de câmeras pelas ruas que vai diminuir a criminalidade.

Mas por uma questão de simplificação, falta de informações, ou seja lá o que for, a população parece se afeiçoar tanto à vigilância, quanto ao controle construído através delas. A mídia deveria ter um papel de informação, mas pouca coisa é dita de forma criteriosa nas programações das TVs e rádios, ou nas páginas das revistas e jornais.

O pouco que se vê aparece com contextualizações direcionadas, frequentemente em apoio às ações de controle. Deixamos aqui hoje um exemplar de uma reportagem que exemplifica o modo mais comum de como as grades de programação televisivas abordam o tema da Vigilância.

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domingo, 17 de outubro de 2010

Opinião, Fluxo de Informação e Controle

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Ana Godoy é graduada em Ciências Sociais, mestre em Ciências Sociais, área de concentração - Antropologia, doutora em Ciências Sociais, área de concentração - Política, todos pela PUC de São Paulo. Pós-doutora em Educação pela UNICAMP.

Posto hoje aqui um pequeno trecho da conversa que tive com ela no apartamento de sua mãe, em Perdizes, na cidade de São Paulo, na sexta-feira, 15 de Outubro de 2010.

Uma pequena amostra de uma conversa onde ela abordou assuntos referentes a Educação, Ecologia, Informação, Opinião Pública, Vigilância, Segurança, e Resistências, mas sempre tendo como pano de fundo a Sociedade do Controle, baseando-se em ideias do filósofo Gilles Deleuze.

Toda a conversa teve como base o texto de Ana Godoy, encontrado na Internet, chamado:



Na próxima Quarta-Feira colocarei aqui os outros trechos da conversa.

domingo, 26 de setembro de 2010

Imprensa e Convergência Midiática

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Nova postagem sobre o tema publicado aqui neste blog apenas na próxima Quarta-Feira.

Enquanto isto podem ver o trabalho laboratorial concluído hoje na disciplina Imprensa e Convergência Midiática, com Lia Seixas.

http://www.labjor.com/?p=150

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vigilância pelas Câmeras

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Reportagem do Jornal Em Cima da Hora, do Canal Globo News, do dia 07 de Janeiro de 2010.

Nela o repórter Rafael Coimbra faz um pequeno resumo sobre como as câmeras se inserem em nosso mundo atual, e, de uma forma aparentemente isenta, revela o que vem junto com ela de útil (combate a criminalidade) e de ruim (invasão de privacidade).

domingo, 5 de setembro de 2010

Todo mundo quer saber onde você está

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Os autores do livro O Futuro da Memória defendem a gravação e arquivamento integral de nossas vidas como algo positivo. Em prol de nossas saúdes um médico poderia, por exemplo, acessar o que comemos durante a semana para dar um diagnóstico sobre uma baita de uma dor de barriga que tivemos no fim de um Domingo.

Os professores poderiam ajudar os alunos verificando online (com a ajuda de algum software inteligente) suas notas e avaliações durante os últimos anos.

O seu supervisor, no trabalho, quem sabe, poderia ajudar você a encontrar uma maneira mais eficiente de se movimentar e ganhar tempo no que você trabalha.

O Governo, sempre interessado no seu bem estar (tsc, tsc, tsc), estaria apto a por as mãos nos seus "arquivos" da adolescência para saber suas possíveis reações quanto ao próximo programa econômico que será lançado e propagado a partir das redes sociais.

E por ai vai.

Estamos longe disso ? Infelizmente não.

Os aparelhos de GPS (geolocalização) estão em toda a parte, em muitos celulares. E do mesmo jeito que facilita sua chegada em algum local, também pode ser utilizado por hackers, empresas, família para localizar você, e saber se você está mesmo fazendo o que disse que ia fazer.

Câmeras de Vigilância espalhadas pela cidade (agora com softwares inteligentes para reconhecimento de face) podem arquivar seu passeio em algum shopping center da cidade, servindo tanto para lhe dar um álibe, quanto para lhe incriminar de alguma forma, sob algum objetivo.

Os dados que vamos injetando no Twitter, Orkut, Facebook, podem ser compliados e arquivados, e posteriormente transformados em perfis de consumo, religiosos, ou de alguma alteração psicótica, etc. O próprio diretor do Facebook já declarou que o "paradigma" da privacidade não serve mais ao mundo em rede. "Estamos construindo uma internet onde o padrão é ser sociável", decretou Mark Zuckerberg. Mas teve de dar um passo atrás porque os usuários não viram a ideia tão boa assim.

Vejam, apenas como pequeno exemplo, a notícia abaixo, para perceber a quantas andam essas questões de invasão de privacidade.

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Localização geográfica divulgada na internet, ou em celulares, pode ser usada de forma indevida. Como aconteceu este ano com um jogo para smartphones, que tinham o sistema operacional Android. O famoso “jogo da cobrinha” tinha apenas um problema: os dados eram passados para um servidor, que copiava a localização do usuário e mandava para os hackers.
Além dos aplicativos, as redes sociais de localização geográfica também estão se integrando aos smartphones. Com isso, o usuário pode acessar as redes através desses dispositivos.

Apesar do crescimento no número de pessoas que estão entrando nas redes de geolocalização (Facebook, Foursquare e Gowalla, por exemplo), algumas das críticas a esse tipo de serviço ainda caem na questão da privacidade.

Este mês foi divulgado um estudo que aponta números sobre a utilização das redes sociais de geolocalização. Segundo a pesquisa feita pela Loopt, rede social móvel que permite ao usuário visualizar localização de amigos, e publicada no site R7, pessoas nascidas depois de 1981 são as que mais usam aplicativos de geolocalização, pois são menos exigentes com a privacidade.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mais Orwell...

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Hoje trago aqui uma pequena amostra, de pouco mais de quatro minutos, do documentário sobre como, ainda hoje, as situações que George Orwell narrava em seu livro 1984 estão atuais, na verdade, atualíssimas.
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O documentário se chama: Orwell se revira em seu caixão... forma sarcástica de mostrar que a situação atual no mundo, em determinados aspectos, pelo menos, está muito além do pessimismo (pretensamente exagerado) daquele inglês, que combateu os fascistas espanhóis comandados pelo Generalíssimo Franco.
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No trecho aborda-se particularmente a situação dos jornalistas e da imprensa, tangenciando as questões discutidas secularmente sobre poder, verdade, etc.
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O filme foi produzido por Robert Kane Pappas em 2004.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vigilância, Corrupção e Controle Social

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TCM investiga licitação para compra de 400 câmeras para Guarda Municipal

O Globo - 13/08/2010

RIO - O Tribunal de Contas do Município (TCM) investiga irregularidades em uma licitação de R$ 16 milhões organizada pela prefeitura para construir, fornecer a infraestrutura e implantar uma central de monitoramento com 400 câmeras, que funcionará na sede da Guarda Municipal, em São Cristóvão, como demonstra reportagem de Luiz Ernesto Magalhães, na edição deste sábado do GLOBO . Os equipamentos, que serão adquiridos em parte com recursos do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), já são considerados um legado das Olimpíadas de 2016 para a cidade. As novas câmeras serão usadas para monitorar o trânsito e na segurança pública.

A investigação coincide com denúncias, de três empresas interessadas em fornecer os equipamentos, de que a licitação estaria direcionada. Segundo elas, em alguns itens haveria um único fornecedor. Em documentos encaminhados à comissão de licitação, duas delas - a Intelseg e a Seal Telecom - afirmam que a empresa Comtex, que no Rio fornece parte das câmeras de vigilância de alguns batalhões da PM, é a única que atenderia às especificações. A Seal Telecom chega a comparar trechos do edital - com as especificações técnicas exigidas pela prefeitura - com as informações dos equipamentos no site da Comtex sobre o software de gerenciamento de imagens: os textos são idênticos.


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China vigia seu povo com 7 milhões de câmeras


The New York Times - 12/08/2010

Para uma rua cujo nome sugere romper as algemas, a Rua Liberação do Sul não parece um lugar muito livre.

Na interseção com a Shanxi Lane, um cruzamento movimentado nesta metrópole do noroeste da China, 11 câmeras de segurança observam a agitação a partir de uma haste de metal sobre a esquina.

Ainda mais câmeras olham a partir das outras três esquinas - são 39 no total, contando com câmeras fotográficas e de vídeo de alta resolução.

"Toda a cidade está sendo vigiada", disse um dono de uma loja ali perto que, como muitas pessoas daqui, se recusou a informar seu nome.

Quando questionado sobre o motivo, ele respondeu, de mau humor: "Não é da minha conta".

Mas não é nenhum segredo.

Há cerca de um ano, as populações étnicas han e uigur de Urumqi participaram da pior revolta étnica da história moderna da China, matando pelo menos 197 pessoas.

Os motins pegaram o Partido Comunista e o governo local de surpresa.

Agora, pelo menos 47 mil câmeras varrem Urumqi para garantir que não haja mais surpresas.

Até o final do ano, de acordo com a agência pública de notícias, serão 60 mil.

domingo, 1 de agosto de 2010

Por uma cultura remixada

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No ano passado durante uma das aulas na disciplina sobre Direitos Autorais, no Curso de Convergência Midiática, na FSBA, o professor Rodrigo Moraes trouxe para a turma um vídeo publicado no YouTube sobre como aqueles “direitos” têm sido atingidos pelas novas tecnologias de comunicação.

Lembro muito bem de um trecho do vídeo em que se discutia nos tribunais norte-americanos (e nas mídias clássicas) sobre a legalidade (legitimidade ??) ou não de um indivíduo se apropriar de segmentos de várias músicas, por exemplo, remixá-los e transformá-los em um “novo” produto.

As grandes gravadoras (tendo por trás as grandes redes de comunicação) estavam determinantemente contra aquilo que eles consideravam uma cópia, e algo que ia de encontro ao entendimento clássico do que seriam direitos autorais. Mas, em oposição às grandes corporações, surgiam novos personagens nas lutas dentro e fora dos tribunais: as redes sociais virtuais.

Na realidade, estavam por trás das redes os indivíduos e grupos de indivíduos que a partir daquelas ferramentas, existentes graças às novíssimas tecnologias de informação, se agrupavam em verdadeiras zonas autônomas transitórias. E ali, onde apareciam novos entendimentos de mundo, novas visões da sociedade, era construída uma espécie de cultura coletiva, a partir de interesses mútuos e novas socialidades.

A força dessas redes faz com que seus questionamentos e debates internos repercutam até mesmo nas grandes mídias (das grandes corporações a quem tantas vezes se opõem). Pelo mundo a fora essas redes têm possibilitado mobilizações em ações coletivas, de apoio e solidariedade (inclusive com intervenções em políticas públicas – por exemplo, no caso de Senador Republicano que seria o líder do Congresso Norte-Americano em 2003, caso um simples blogueiro não tivesse avaliado seu histórico racista nos anos 60, e tivesse jogado lama no ventilador).

Todo esse poder nasce na própria origem das proposições daqueles que constróem as redes no ciberespaço: Difusão de Culturas Emergentes, Trabalho Coletivo a Distância, Comunidades Temáticas (identitárias) e, principalmente, Liberdade de Emissão da Informação, com a consequente produção de conhecimento autônomo e, de certo ponto de vista, descontrolado.

Pode-se mesmo dizer que se forma uma nova economia da informação. Há na Internet dezenas de ferramentas (em muitos casos propriedades das mesmas grandes corporações que antes detinham o poder de informar sozinhas) que propiciam ao cidadão comum possibilidades de produção de conteúdo nunca vistas antes.

Mas aquelas ferramentas propiciam mais que isso. Elas potencializam a capacidade de colaboração, a partir de nós e teias, que se transformam em novas interligações modificando “substancialmente as funções de aquisição, armazenagem e disseminação da informação e do conhecimento” (Claudia Cunha Ribas).

O tripé econômico da Produção/Circulação/Consumo a partir dessas redes é reconfigurado e ressignificado pelos indivíduos, enquanto cidadãos, e não mais pelas empresas tradicionais. E, dessa forma, aquelas empresas têm de se “render” às redes sociais. E, quem sabe, se apropriar daqueles espaços.

Mas não uma apropriação aos moldes antigos. Uma apropriação não mais mono-lítica, uni-direcional, mas poli-lógica e multi-linear, onde se perceba os indivíduos não mais como receptores de uma seringa hipodérmica, sem reações conscientes.

Os indivíduos da era das redes sociais têm de ser agora entendidos mesmo como sujeitos, na sua definição aceita modernamente, como aqueles que são conscientes de seus pensamentos e responsáveis por suas ações.

Talvez, vendo o indivíduo dessa forma, os defensores de um Ancien Régime possam até mesmo compreender que novas mixagens são realmente novos produtos e que a Indústria Cultural não pode ser mais entendida como antes.

Produzi este texto como parte das avaliações feitas
pelo professor Claudio Manoel durante as aulas,
neste fim de semana,
na disciplina Assessoria de Comunicação na Era Multimídia,
do curso de Convergência Midiática da FSBA (Faculdade Social da Bahia).

domingo, 25 de julho de 2010

Câmeras Reduzem o Crime nas Cidades ?

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Nesta postagem de hoje continuo uma análise das vantagens e desvantagens de Câmeras de Vigilância. Vamos encontrar aqui uma notícia de Setembro de 2007 que sugere um bom argumento contra elas (ou que pelo menos suscita um bom debate).

A notícia foi encontrado nas páginas do IDG News Service. E a partir dela podemos conjecturar mais questões.

Será que vale mesmo a pena gastar tanto dinheiro público, além de reduzir a privacidade dos indivíduos (e quiçá a dignidades deles, conforme críticas de Stefano Rodotà) por conta de uma possível redução da violência urbana ?

E quando se tem evidências de que essa violência não diminui, a despeito das câmeras. Por que construir e manter um aparato de vigilância tão caro ?

Vejam a matéria.

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A cidade de Londres tem mais de 10 mil câmeras de vigilância instaladas em áreas públicas, mas somente um em cada cinco crimes é resolvido por conta da vigilância, afirmou Dee Doocey, porta-voz do partido Liberal Democrata na Assembléia de Londres, responsável pela determinação de políticas de transporte e policiamento nos 32 distritos de Londres e o centro da cidade.
"Nossos números mostram que não há ligação entre o alto número de câmeras de vigilância (CCTV) instaladas e uma redução na incidência de crimes" comparou Doocey. "Distritos com centenas de CCTVs não estão se saindo melhor do que áreas com uma dúzia de câmeras."
Os defensores das câmeras de vigilância acreditam que a solução está mais voltada a prevenir do que solucionar o crime. No entanto, embora as câmeras na cidade tenham ajudado policiais a identificar, em poucos dias, os responsáveis pelo atentado a bomba no metrô de Londres, em julho de 2005, não conseguiram evitar o incidente.
Nos últimos dez anos, a instalação das CCTVs na cidade de Londres custou mais de 200 milhões de libras (400 milhões de dólares) aos cofres públicos, disse Doocey, que sugere um debate mais amplo sobre o policiamento da cidade.
Peter Sayer, editor do IDG News Service
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Quarta-Feira volto a postar.

domingo, 18 de julho de 2010

Vigilância em Escola no Rio de Janeiro

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O texto abaixo, complementar à matéria da Rede Globo, é da professora da UFRJ, Fernanda Bruno, que também pesquisa sobre o tema Vigilância. Transcrevi de uma postagem do seu blog Dispositivos de Visibilidade e Subjetividade Contemporânea, publicada em Novembro de 2007:
Cresce em todo o mundo a instalação de câmeras de vigilância em escolas, sob o argumento de prevenir atos de vandalismo e violência. No Brasil, São Paulo e Brasília têm os maiores projetos de vigilância nas escolas públicas. Em São Paulo, 300 escolas da rede municipal estão sendo equipadas e no Distrito Federal são 620 escolas públicas a contar com câmeras de vigilância.
Segundo a ABESE (Associação das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança) as escolas privadas foram pioneiras no uso de monitoramento eletrônico, o que não surpreende, em particular no Brasil, onde a vigilância privada supera em muito a pública, o que nos diferencia de boa parte do mundo em termos de vídeo-vigilância. É perturbador ver essa adesão inquestionada à vídeo-vigilância e a sistemas de inspeção policiais em ambientes escolares.

domingo, 11 de julho de 2010

O Fim do Fim da Privacidade

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O texto que segue foi transcrito (um pequeno trecho) da edição de julho da Revista Superinteressante.

A autoria é de Pedro Burgos. Não existe ainda link online desse artigo. Portanto, quem quiser ler o mesmo na totalidade (vale a pena) tem de ir às bancas e comprar a Revista.

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O Fim do Fim da Privacidade

Uma em cada 4 pessoas que usam a internet no mundo tem uma conta no Facebook. Esse meio bilhão de pessoas publica 14 milhões de fotos diariamente. Os 100 milhões de usuários do Twitter postam 2 bilhões de mensagens por mês. Dê um Google no nome de alguém e os tweets dele vão estar lá. Pesquisadores cunham termos bonitos como a “era da hipertransparência” para tentar falar que há Xeretas e exibicionistas demais hoje.
E a maior rede social do planeta deu um passo grande rumo a tal hipertransparência: em maio, o Facebook mudou as regras sobre o quanto que estranhos podem saber da sua vida. “Estamos construindo uma internet onde o padrão é ser sociável“, decretou Mark Zuckerberg, criador e presidente do site, ao anunciar as mudanças. Utopia sociológica à parte, interessa para ele que usuários de seu serviço possam ser encontrados com mais facilidade. Se você não está no Facebook e encontra aquele amor antigo do ginásio ali, tende a entrar para a rede social. E, quanto mais gente lá, mais Zuckerberg pode faturar com publicidade.
Às mudanças: de cara., elas parecem bem sutis. Antes, não dava para Ver a foto de perfil ou a idade de uma pessoa pesquisada, por exemplo. Agora, a não ser que o usuário mude as configurações no braço, um resumo de sua ficha ficará exposto na internet. Não é pouca coisa. Pense em quem teve um término de relacionamento conturbado e quer manter distância de namorados maniacos; ou em um adolescente que mudou de escola por causa de bullying e corre o risco de que tudo comece de novo se os novos colegas descobrirem isso; em quem sofre de assédio moral no trabalho ou foi testemunha de um crime; em quem não quer que os pais descubram detalhes de sua Vida sexual. Para todos eles, qualquer detalhe que o Facebook divulgue pode fazer uma grande diferença...
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Volto na Quarta-Feira !!!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pensando cada vez mais rápido

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Em 1995, o historiador Eric Hobsbawn, no seu livro Era dos Extremos, já criticava a tendência à superficialidade em um mundo atual tão repleto de informações. E, ao mesmo tempo, dava a receita para que as novas gerações pudessem religar suas vidas ao seu passado histórico.
A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim do segundo milênio. Por esse mesmo motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores.
Pierre Bourdieu, sociólogo francês, já abordava um pouco antes de Hobsbawn o que nomeou de “fast-thinking”, nada mais, nada menos, que o processo ao qual um ser humano pretensamente normal (de acordo com os editores de jornais) tem de se acostumar vendo e ouvindo dezenas, ou centenas de novas notícias todo dia. Notícias descontextualizadas, e desconectas, com uma profundidade quase nula. Fatos cada vez mais superficiais, particularmente mostrados em TVs, para “facilitar” o entendimento daquele que é considerado o alvo da informação.

Já há estudiosos radicais que ligam ferramentas como o Google ou o Twitter a uma espécie de narcotização neurológica, a partir de uma sistemática distração do cérebro a partir de muita informação, com pouca densidade. Essas ferramentas, segundo Nicholas Carr, neutralizariam a capacidade de criação do ser humano fazendo com que deixemos “de ser cultivadores de conhecimento pessoal e a transformarmo-nos em caçadores e recolectores na floresta das informações eletrônicas”.

Não é difícil perceber certa verdade nessas afirmações para quem convive em escolas e faculdades, apenas como exemplo. Não é de forma alguma trabalhoso se conseguir uma série de exemplos de professores que tenham encontrado trabalhos copiados da Internet, em sua totalidade, por alunos, com base em pesquisas do Google e uma técnica conhecida como “copiar-colar”.

Aproveitando a citação do Google é importante notar que não é improvável também que neste momento uma nova espécie de Memória Integral já esteja sendo construída, a mercê dos indivíduos. E não se deve esquecer de que quando se fala em Google não é com referência a apenas a ferramenta de buscas gratuita, mas sim como empresa capitalista que tem como matéria prima e produto a informação. Esta possui uma infinidade de ferramentas: Busca de Textos, Mapas, GPS, Tradução, Hospedagem de Vídeos, servidor de e-mail, e tantas outras.

O Google Search, por exemplo, permite construir, a partir de dados compilados, perfis de consumo, a partir das pesquisas solicitadas diariamente por qualquer usuário. Os dados guardados não estão sob o controle de cada indivíduo a quem deveria “pertencer” as informações. Pedro Doria, em reportagem na Revista Galileu, deixa claro:
Na Googlelândia, a liberdade é plena, porém vigiada. A empresa registra tudo o que escrevem, o que fazem e o que compram os usuários. Mas o lema oficial da companhia é: “Não faça o mal”. De pronto, argumenta que, quando o sistema vasculha as mensagens do Gmail, por exemplo, é para oferecer a você as propagandas que mais possam interessá-lo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sobre os Totens Soteropolitanos

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Recebi as respostas aos questionamentos que havia feito para a Prefeitura de Salvador quanto aos "Totens" publicitários que vêm sendo instalados em vários pontos da cidade.

As respostas foram enviadas pela Sucom, através da sua Assessoria de Comunicação.

Logo abaixo deixo as questões e respostas.

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1- Houve alguma discussão dentro da prefeitura com relação a instalação das câmeras (ou foi decisão da empresa de mídia que instala os totens) ?

A instalação de câmeras foi uma determinação da Sucom às empresas interessadas em instalar os totens na cidade, como forma de disponibilizar mais um serviço de utilidade pública, qual seja, o de monitoramento visual em favor da mobilidade de veículos e da segurança dos munícipes, em contrapartida à exploração de espaços publicitários por parte da empresa contratada.

2- E quanto a privacidade das pessoas filmadas. As câmeras ficarão ligadas 24 horas ? Não há a possibilidade de que as pessoas não desejem ser vistas a qualquer momento nas praias, por exemplo ? Isto também foi debatido ?

A questão foi debatida, tendo sido decidido que as câmeras ficarão ligadas 24 horas, tendo como base o entendimento da Sucom de que o interesse público (segurança, mobilidade) deve prevalecer sobre o privado. As câmeras serão instaladas em lugares estratégicos que possibilitem captar imagens especialmente de calçadas e ruas. Com o objetivo de preservar a intimidade das pessoas, não serão filmados os rostos das pessoas na areia da praia ou no mar.

3- Quem será responsável pelo controle das câmeras ? A prefeitura ou a empresa de mídia ?

Não haverá controle de câmeras.

4- As imagens do "vídeo monitoramento" seriam disponibilizadas onde ? Na Internet ? Em que endereço ?

A empresa credenciada disponibilizará as imagens em um site, cujo endereço ficará acessível através de sites da Prefeitura, a ser informado.

5- Serão utilizadas por órgãos de segurança do Estado ?

As imagens estarão disponíveis a todos, inclusive a órgãos de segurança do Estado.

Pronto... é isso.

Domingo volto para comentar sobre as respostas.

domingo, 30 de maio de 2010

Relatos acerca da Sociedade da Vigilância (1ª Parte)

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Em Setembro de 2006 foi criado um Relatório para a Information Commissioner by the Surveillance Studies Network (uma rede de pesquisa sobre vigilância).

Segue parte dele logo abaixo.

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Parte A: Apresentando a Sociedade da Vigilância
1.1 - Nós vivemos na sociedade da vigilância. Não faz sentido usar um tempo futuro para falar sobre a sociedade da vigilância. Em todos os países ricos do mundo, a vida cotidiana é permeada de encontros vigiados, não apenas à luz do dia, mas 24 horas por dia, sete dias por semana. Alguns desses encontros interferem na nossa rotina, como quando recebemos uma multa por avançar o sinal vermelho sem que houvesse ninguém por perto, exceto por uma câmera. Mas a maioria desses encontros vigiados já faz parte do nosso dia a dia. Nem reparamos neles.
1.2 - Pensar nos termos da sociedade da vigilância é escolher um ângulo de visão, uma maneira de enxergar o mundo contemporâneo. É expor de maneira clara não apenas os encontros diários, como também os enormes sistemas de segurança que sustentam a existência moderna. Isso não se resume ao fato dos sistemas de circuito interno registrarem nossa imagem várias centenas de vezes por dia, ou dos caixas de supermercado pedirem nossos cartões de fidelidade, ou de precisarmos de um cartão de acesso codificado para entrar no escritório pela manhã. O que acontece é que esses sistemas representam uma infraestrutura básica e complexa, que presume que coletar e processar dados pessoais é algo vital para a vida contemporânea.
1.3 - De maneira convencional, falar na sociedade da vigilância é invocar algo sinistro, envolvendo ditadores e totalitarismo. Já vamos falar no Grande Irmão, mas a sociedade da vigilância é melhor compreendida como o resultado de práticas organizacionais modernas, dos negócios, do governo e do exército do que como uma conspiração secreta. A vigilância pode ser vista como um avanço rumo à administração eficiente, na visão de Max Weber, algo benéfico para o desenvolvimento do capitalismo ocidental e do estado-nação moderno.
1.4 - Certos tipos de vigilância sempre existiram: as pessoas se fiscalizam em prol do bem comum, por questões morais e para descobrir informações em sigilo. No entanto, há quatrocentos anos, métodos ‘racionais’ começaram a ser aplicados a práticas organizacionais, eliminando os controles e redes sociais informais dos quais dependiam os negócios e o governo. Os elos sociais comuns entre as pessoas se tornaram irrelevantes, de forma que as conexões familiares e as identidades pessoais deixaram de interferir no perfeito funcionamento dessas novas organizações. A boa notícia é que os cidadãos, e eventualmente os trabalhadores, poderiam ter a expectativa de que seus direitos fossem respeitados, já que eles eram protegidos por registros precisos e também pela lei.
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O "espírito" de vigilância como relatado acima, por pesquisadores como David Lyon e Kirstie Ball, está se disseminando pela sociedade. Uma das responsáveis por esta situação é a grande mídia televisiva. Dificilmente vemos alguma reportagem discutindo de forma crítica o aumento de câmeras ou outros dispositivos que podem ser a causa de boa parte da perda de nossas privacidades, e de um maior controle sobre nossas vidas por parte dos governos.

Na realidade, na maioria das vêzes, o que se percebe nas apresentações daqueles dispositivos de vigilância é uma leve (nem sempre tão leve) tendência a apresentar as suas "vantagens".

Como disse Pierre Bourdieu, "em um mundo dominado pelo temor de ser entediante e pela preocupação (quase pânico) de divertir a qualquer preço, a política está condenada a aparecer como um assunto ingrato, que se exclui tanto quanto possível dos horários de grande audiência, um espetáculo pouco excitante, ou mesmo deprimente...".

Trouxemos até aqui, como exemplo dessa tendência, uma reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo, do dia 26 de Maio passado.


Na Quarta-Feira continuamos com a apresentação do Relatório e mais exemplos de referências midiáticas.

domingo, 9 de maio de 2010

Vigilância e Violência Urbana

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Não é difícil se perceber que muita gente gosta da ideia de aumentar e melhorar os sistemas de vigilância, pois, em tese, isso deveria diminuir o estado de violência que se vive nas grandes cidades (seja do Brasil ou em qualquer outro local do mundo).

Câmeras, por exemplo, espalhadas em bancos, escolas, ruas e ônibus, seriam inibidoras dessa violência. Portanto deveriam inibir homicídios, sequestros e assaltos.

Porém algumas pessoas em redor do mundo desconfiam dessa equação muito simples: Mais Vigilância = Menos Violência. Acredita-se que muitas variáveis podem estar por trás dessa "necessidade" de vigilância. Empresas de equipamentos, apenas como um exemplo, podem querer formar lobbies nas Câmaras de Vereadores, dentre outras, para que se comprem mais câmeras, e incrementem os saldos de suas contas bancárias.

O vídeo que segue foi publicado no dia 05 de Março desse ano no canal R7, da Rede Record, e dá um indício importante sobre a questão entre violência e vigilância. Neste vídeo a repórter chega a deduzir que as câmeras dentro dos ônibus no Rio de Janeiro não estão inibindo os assaltos.

Vale também notar que o vídeo faz parte do acervo do programa Balanço Geral. Ali, ao final da reportagem, o apresentador Wagner Montes dá sua receita de como tratar os "elementos" que assaltam os veículos públicos. Infelizmente, mais um exemplo de como fazer com que a população que assiste ao programa tenha uma visão simplista (e geradora de novos atos violentos) de como lutar contra a violência urbana.