Mostrando postagens com marcador Resistência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resistência. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tecnopolítica e Anarquismo

_____________________________

"Tecnopolítica e Anarquismo" 

19/02 - Sábado, 14h!

Cada vez mais utilizamos as novas tecnologias para nos comunicar, mas
 que acontece quando usamos ferramentas criadas e administradas por
grandes empresas? Você sabia que o YouTube passa a ser dono dos vídeos
que você publica lá? Que o Gmail passa seus dados privados para a
polícia, caso seja solicitado? Que o Facebook pode apagar a tua conta
e os teus contatos se descobre que você não usou seu nome verdadeiro
ou que usa a sua conta com fins politicos?


Venha discutir estas questões e conhecer que alternativas temos, este
sábado dia 19/02, as 14h, na Biblioteca Social Fábio Luz.

Rua Torres Homem 790 - Vila Isabel
Perto do final do Boulevard 28 de Setembro e da Escola de Samba Vila Isabel
Rio de Janeiro - RJ

# ônibus: 232, 433, 222, 438, 638, 269
# metrô: integração Vila Isabel
# trem: estação Maracanã e descer até o final da 28 de Setembro

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mídia & Controle Social II

______________________________


Qual seria o objetivo de mídias alternativas às atuais mídias de massa, propriedades de poucas famílias ou corporações?

Talvez mostrar como as elites dominantes criam e manipulam aquelas mídias ao seu bel prazer contra as classes trabalhadoras. Quem sabe para apresentar um outro discurso sobre a mídia de massa ao qual a maioria das pessoas não está acostumada a ler ou ouvir. Serviriam também, por exemplo, como espaço criativo, onde estudantes e profissionais da área de comunicação, poderiam compreender certos aspectos que envolvem a natureza dos meios de comunicação de massa, como, por exemplo, sua influência sobre a população, como formadora de opinião.

Nestes espaços poderemos discutir, por exemplo, de que forma a mídia de massa serve de mecanismo de difusão ideológica, como esclarece o sociólogo Pierre Ansart : “De fato, uma ideologia sistemática será incessantemente difundida por esses grandes mediadores dos significantes políticos, ideologia conforme a estrutura da propriedade, incitando à conformidade com a ordem estabelecida e a ver a política como um espetáculo pouco sério”.

Ou debater, também, porque aquela mesma mídia de massa se encontra do lado dos poderosos, cujos interesses, segundo o historiador francês Georges Duby, “encontram-se servidos por modelos ideológicos mais bem armados que os outros, e geralmente dão-se ao luxo, na medida em que sua superioridade material lhes parece mais segura, de encorajar as inovações no campo da estética e da moda. Contudo, no fundo delas próprias, mostram-se atentas a se defender contra todas as mudanças menos superficiais que poderiam vir a colocar em questão os poderes e vantagens que detêm”.

É possível evidenciar as posições acima descritas, por parte de quem domina a sociedade em que vivemos, a partir da compreensão do que fazem as mídias de massa em determinados momentos da vida urbana. Durante uma greve, por exemplo.

Ali, podemos perceber, em qualquer pesquisa que fizermos, quanto mais radicais as movimentações, mais tendenciosas são as respostas das mídias de massa, e de seus interlocutores, os jornalistas.

Talvez por temor de que aquele tipo de luta permita que se rompa o véu da alienação social, revelando o caráter superficial e dissimulado das ações e discursos dos “dias comuns”, mesmo que temporariamente.

Pois aquele tipo de luta tende a permitir que os sujeitos, que dela participam, adquiram a partir da sua experiência, e do emaranhado de discursos produzidos dentro dela, a capacidade de produzir novas ações, novas significações e de enfrentar criticamente os discursos entre os quais circulam, levando-os a serem donos de sua própria voz.

........ 

Texto reproduzido do blog Mídia Rebelde de 29 de Fevereiro de 2008

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O AI-5 Digital está de volta.

______________________________


O texto que posto aqui hoje foi publicado no mês de Novembro de 2010 no Blog do Deputado Federal do PT, Paulo Teixeira. Ele aborda o retorno do projeto de lei conhecido como AI-5 Digital ao plenário da Câmara dos Deputados. No texto dá para entender porque o apelidaram de AI-5 Digital, e porque boa parte dos que defendem a liberdade de expressão na Internet são contra ele.

Boa leitura e que todos tenhamos um ótimo 2011. Até Domingo.

******

A ressurreição

No início do mês de outubro, enquanto boa parcela da sociedade e do Congresso se voltava à campanha eleitoral e aos resultados das eleições estaduais e federal, o Projeto de Lei (PL) 84/99, de autoria do senador Eduardo Azeredo, embora não tenha sido aprovado em qualquer Comissão da Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável em duas delas – a de Segurança Pública e a de Constituição e Justiça.

Com isso, caso o Projeto seja aprovado nessas duas comissões, estará pronto para ir ao plenário e, se deputados federais assim decidirem, ele pode se tornar lei.

O projeto

O Projeto do senador Azeredo, para aqueles que não o conhecem ou dele não se lembram, recebeu a alcunha de “AI-5 Digital” por conta dos malefícios que sua aprovação poderia causar à privacidade, e por tornar crime muitas das práticas cotidianas de todos os internautas – como baixar músicas e filmes ou trocar arquivos.

Caso se torne lei, o PL 94/99 obrigará que provedores de conteúdo (como, por exemplo, os serviços de e-mail e os publicadores de blogs) sejam responsáveis pela guarda dos logs (os registros de navegação) dos usuários. Pior que isso, fará com que haja uma “flexibilização” nas regras para que esses registros sejam obtidos. Isso significa, na prática, que nossos dados poderão ser divulgados à polícia ou ao Ministério Público sem a necessidade de uma ordem judicial.

Além disso, o Projeto dificulta a atividade das lan houses e inviabiliza a existência de redes abertas, pois exige a identificação de cada usuário conectado à internet.
Nossa posição/ação

Além de criminalizar ações absolutamente corriqueiras na internet, o PL 94/99 representa um verdadeiro atentado à privacidade. Sem o menor rigor jurídico, corre-se o risco de se ter dados de navegação expressamente violados, muito embora nossa Constituição preveja que a quebra de sigilo só pode ser realizada mediante ordem judicial.
Neste momento, no entanto, surgem novos desafios. O primeiro deles, sem dúvidas, é trabalhar para barrar, de uma vez por todas, no Congresso Nacional, o AI-5 Digital, de modo que ele não seja aprovado nas Comissões da Câmara. Paralelo a isso, nossa grande alternativa para assegurar concretamente os direitos dos usuários da internet no Brasil é discutir e aprovar o Marco Civil da Internet. Nesse sentido, temos a possibilidade de sacramentar uma legislação pioneira, capaz de compreender a verdadeira dinâmica da internet e de seus usuários.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Invasões, Invasões...

_______________________________


Esses últimos dias tenho lido o livro Modernidade Líquida (2000) de Zygmunt Bauman. O autor, sociólogo polonês, faz ali uma grande viagem, tão pessimista quanto Giles Deleuze foi no começo dos anos 90, em torno de como nos encontramos, nós humanos, numa condição em que parece que as correntezas estão mais fortes do que nunca.

O que chamamos de correntezas nada mais são do que padrões sociais, cada vez mais homogêneos, e com poucas possibilidades de fuga do emaranhado formado. Para ele, confirmando os desejos de idealistas do Sec. XIX, os sólidos se desmancharam no ar, mas, para a infelicidade de muitos, sedimentou-se uma nova ordem, líquida, mas paradoxalmente, tão ou mais rígida que as ordens anteriores.

Podemos perceber o quanto Bauman considera rígidas as novas "leis" sociais desde o começo do livro. Didaticamente ele afirma que "se o tempo das revoluções sistêmicas passou, é porque não há edifícios que alojem as mesas de controle do sistema, que poderiam ser atacados e capturados pelos revolucionários".
.
Assim dentre os sólidos que se desejariam derreter neste momento não estariam incluídos o cada vez maior individualismo, a uniformização cultural, e o endeusamento cada vez maior da mercadoria, somente como exemplos.

Caco Barcelos em seu programa semanal da Rede Globo na última Terça-Feira (30 de Novembro) me fez repensar sobre aquelas ideias de Bauman. Na reportagem os "novos" jornalistas do programa Profissão Repórter da Globo fazem uma inserção completa sobre os dias finais da ocupação de um prédio, antigo hotel, no centro da cidade de São Paulo, na bem conhecida, de muitos brasileiros, Avenida Ipiranga, graças a música de Caetano Veloso.

É possível se ver dentro da reportagem elementos que tanto reforçam quanto podem refutar as teorias do sociólogo polonês. A própria reportagem, por exemplo, pode representar uma brecha de resistência a homogeinização quase absurda que impera no jornalismo aqui no Brasil (vide as reportagens do último final de semana sobre a "Guerra contra o Tráfico" no Rio de Janeiro).

Ver o corre-corre dos repórteres junto com membros da comunidade criada com a ocupação, desde a madrugada, quando se procurava comida nas feiras, passando pelo périplo de adultos e crianças, uns em direção às escolas e outros às filas de emprego, e chegando ao final, observando o rosto entristecido do repórter no momento da invasão policial no prédio (chamada eufemisticamente de desocupação, ou reintegração de posse), me fizeram ter esperança em um jornalismo positivo (não lembrei de outro termo para qualificar um jornalismo desse tipo).

Espero que o trecho da reportagem (ela completa se encontra no portal da Globo.com) que coloquei ai em cima na postagem de hoje faça com que aqueles que navegam por este blog também reflitam sobre o que se deseja para o mundo e para as pessoas que nele residem. E quem sabe os versos de Caetano também ajudem nessa reflexão:

"Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João...".

domingo, 28 de novembro de 2010

A Moda contra o Raio-x Indiscreto

______________________________


Quando a TSA (Transportation Security Administration) anunciou a instalação de mais de 400 scanners corporais em 60 aeroportos dos Estados Unidos, houve uma onda de protestos a favor da privacidade. Agora, começam a surgir as mais diversas criações de vestuário que prometem resolver, em forma de protesto, o problema dos usuários, provando que a moda pode se adaptar a qualquer situação.
Rocky Flats Gear anunciou em seu site roupas íntimas com estampa metálica, feita de tungstênio, em formato de folha, que protege e se adapta ao corpo. A novidade abrange peças tanto para homens quanto para mulheres.
Já a 4th Amendment Underwear traz modelos de camisetas, roupas íntimas e meias, com um pequeno texto escrito em uma espécie de liga metálica, que visa o protesto silencioso, uma vez que houve incidentes com usuários nos aeroportos. Neste mesmo conceito estão as camisetas "Land of the Free?", que trazem a imagem da Estátua da Liberdade sob o efeito do raio-x.

Porém, a revolta vai além do vestuário: ativistas marcaram para o dia 1 de dezembro, próxima quarta-feira, o Dia Nacional da Abstenção, que se opõe a obrigatoriedade da prática de escaneamento.

domingo, 21 de novembro de 2010

Tecnologia para quem ?

______________________________


Cansamos de ouvir odes da grande mídia para com a modernidade, e à tecnologia que a acompanha. Somos freqüentemente induzidos a substituir aparelhos eletrônicos, por exemplo, pelo simples motivo de suportar uma velocidade maior, ou tornar mais eficiente alguma operação rotineira. Não ouvimos, no entanto, nenhuma menção à própria tecnologia como parte de uma estratégia para manter o estágio de consumo a que se chegou a humanidade.

Creio que a tecnologia como conhecemos hoje não pode ser entendida como neutra, isto é, a tecnologia de hoje, criada e evoluindo em nome de uma classe específica, direcionada para a acumulação de capital daquela classe, não pode de maneira alguma ser a mesma usada por uma sociedade que se pretenda livre, de verdade.

Na realidade, considero que até a própria luz elétrica, por exemplo, como necessidade ou bem consumível é discutível para uma sociedade livre.

Vou tentar explicar minha visão sobre este tema em poucas linhas.

Quando se acende uma lâmpada, quando se abre o gás de fogão, ou ao ligar a televisão, estamos diante de um consumismo, que pode não parecer, mas é criado e difundido pelo próprio sistema capitalista-industrial, o qual explora através do capital, das instituições e da cultura burguesa, o trabalhador que hoje não consegue desatar as amarras deste sistema. A tecnologia entra na exploração da mesma forma que as outras armas do sistema contra o indivíduo (ou mais precisamente, o trabalhador). Ela é apenas mais uma das teias dentro da rede de exploração.

A evolução desta tecnologia capitalista pressupõe sempre mais controle social através da evolução administrativa.

Nessa evolução a divisão de trabalho pode até tornar-se menos visível, mas ainda está lá . Um homem aperta o parafuso, um junta letrinhas para um jornal, outro abre uma válvula, outros a desenham, alguns preparam apresentações em Powerpoint, todos sem a mínima idéia do conjunto total da produção. Desconhecendo, alienadamente, o motivo de suas ações.

A tecnologia que conhecemos hoje intensifica cada dia mais a heterogestão, espaço onde a hierarquia e a burocracia predominam. Não é difícil imaginar isto quando estamos todo dia trabalhando dentro de complexos industriais, bancos ou escolas (necessários para manter a lâmpada acesa em casa), mais parecidos com campos de concentração ou centros de lavagem cerebral (alimentados com ferramentas disciplinares, como as "chamadas", os panópticos, as quatro paredes dividindo-nos, etc.).

Em minha opinião, se queremos manter a luz acesa, o gás fluindo, a televisão ligada, etc., onde as relações de trabalho continuem as mesmas de hoje, teremos que nos arriscar a viver numa sociedade "livre" onde exista heterogestão em parte dela, o que seria paradoxal.

Se desejarmos viver em comunidades livres, realmente baseadas na AUTOGESTÃO, devemos encontrar novas instituições, novas formas de fazer cultura, novas técnicas.

Inclusive temos de discutir quanto a real necessidade de certos bens de consumo individuais que existem hoje e sobre os quais nos deliciamos sem analisarmos as conseqüências de sua existência. DVDs, geladeiras, automóveis, sapatinhos da Grendene, o ar-condicionado, e até mesmo a nossa velha e querida lâmpada.

Texto publicado no blog Mídia Rebelde em Fevereiro de 2008

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nada de Câmeras em Vestiários de Empresas

______________________________


Os trabalhadores têm direito à privacidade nos vestiários das empresas, que não podem instalar câmeras de segurança nesses locais. Com este entendimento, decisão inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o assunto em sua Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC).

A medida tem aplicação imediata apenas em relação ao dissídio coletivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Caxias do Sul (RS), mas deverá servir como base para outros casos semelhantes que chegarem à corte. A decisão não deve ser alterada por recurso.

A reivindicação chegou ao TST como um protesto contra decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), que aderiu à proposta dos empregadores de colocar câmeras em todo o ambiente de trabalho. No TST, os empregados pretendiam impedir a instalação de câmeras não só nos vestiários, mas também em refeitórios, locais de trabalho e de descanso. A alegação é que a prática causaria "constrangimento, intimidação, humilhação e discriminação aos trabalhadores."

O recurso foi acolhido em parte pelo ministro Walmir da Costa, que proibiu a instalação de câmeras apenas nos vestiários, afirmando que isso "certamente exporá a intimidade do empregado". Quanto à vigilância em outras áreas da empresa, ele afirmou que, "desde que não cause constrangimento ou intimidação, é legítimo o empregador utilizar-se de câmeras e outros meios de vigilância, não só para a proteção do patrimônio, mas, de forma auxiliar, visando à segurança dos empregados".

Fonte: Ag. Brasil

domingo, 7 de novembro de 2010

Neo-Liberalismo e Controle Social

______________________________
O século XX se encerrou afirmando como utopia uma necessária democracia agenciada pelas forças liberais. Ela deve servir a todos como forma de vida política igualitária capaz de contemplar as diferenças. Trata-se de uma democracia representativa com base em direitos civis, políticos e sociais que espera a participação de todos e se propõe garantidora de direitos a serem contemplados com  base na inspiração multiculturalista. Capitalismo com democracia passou a ser o duplo indissociável que encerrou o século anunciando o retilíneo caminho a ser seguido pela sociedade de controle.
Edson Passetti no livro Anarquismos e Sociedade de Controle (Cortez Editora)

domingo, 31 de outubro de 2010

Eu só quero é ser feliz...

______________________________

Eu só quero é ser feliz
Andar tranqüilamente
Na favela onde eu nasci
É...
E poder me orgulhar
E ter a consciência
que o pobre tem o seu lugar.



Rap da Felicidade
 (Cidinho e Doca)


Para quem não conhece, os versos acima são de uma música tocada lá pelos anos de 1995 e 1996, quando ainda se podia chamar favela de favela. Hoje o nome dado ao mesmo local é Comunidade. Mas a violência e a corrupção policial, por exemplo, continuam andando por ali, da mesma forma que há 15 anos atrás.

O controle estatal, segundo George Orwell, em seu 1984, era também baseado na confusão de ideias difundidas dentro da sociedade. Favela, comunidade, violência, paz, segurança, felicidade. Paz é Guerra. Ignorância é Força. Liberdade é Escravidão. Eufemismos e ambiguidades. A sociedade de controle funciona nestas bases.

Encontrei a notícia que segue no dia 15 de Outubro, no site Vitrine Digital:
Os prefeitos de Pelotas, Rio Grande, Cruz Alta, Taquara e Venâncio Aires estiveram, nesta sexta-feira, em Brasília para assinar convênios com o Ministério da Justiça. O governo vai repassar recursos para que cada município implemente um sistema de video-monitoramento, a fim de reforçar a vigilância em pontos considerados mais perigosos. O objetivo é prevenir a violência e a criminalidade.
Recentemente, os cinco municípios criaram o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) – órgão reunindo representantes da prefeitura, Judiciário local, Ministério Público, Polícia Militar e sociedade civil (como sindicatos e entidades de classe). Os membros do gabinete analisam estatísticas sobre a segurança pública no município e sugerem medidas para que os problemas sejam resolvidos.
Vigilância e controle social em nome de mais segurança e felicidade ?

Para entendermos um pouco mais acerca do que vem a ser a Sociedade de Controle trouxe hoje aqui um novo trecho da conversa que tive com Acácio Augusto e Edson Passetti. Vejam no vídeo que segue.

Nele o professor da PUC-SP, Edson Passetti, que escreveu o livro Anarquismos e Controle Social, fala de como funciona o controle dentro da sociedade atual.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Deleuze e a Sociedade de Controle

______________________________

Gilles Deleuze e seus Reflexos

O filósofo Gilles Deleuze em certo ponto da década de 90 disse o seguinte:

"Diante das próximas formas de controle incessante em meio aberto, é possível que os mais rígidos sistemas de clausura nos pareçam pertencer a um passado delicioso e agradável".

Aproveitamos os conhecimentos de Acácio Augusto sobre aquele autor para questioná-lo sobre como ele via a questão da Sociedade de Controle.

Acácio é autor do livro Anarquismos & Educação, junto com Edson Passetti. Também escreveu o artigo Para além da prisão-prédio: as periferias como campos de concentração a céu aberto, na revista online Observatório das Metrópolis.

Seria uma espécie de pessimismo nas análises de Deleuze sobre a Sociedade do Controle, nos anos 90, que hoje vemos fluindo como a realidade das favelas cariocas, ou na periferia de Salvador, ou qualquer outra grande cidade ?

As modificações urbanísticas, as políticas pacificadoras (com mais policiamento e mais vigilância) naquelas grandes cidades são na realidade apenas parte de uma complexa construção e manutenção das sociedades de controle a que Deleuze se referia ?

Questionamos e ele nos respondeu. Veja o vídeo que segue.

No próximo Domingo continuo a apresentação da conversa que tive com Edson Passetti e Acácio, em seu apartamento no bairro da República em São Paulo. O encontro aconteceu no dia 17 de Outubro, no final da tarde de um outro Domingo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Conversa com Ana Godoy (Continuação)

______________________________


A conversa com Ana Godoy, já apresentada na postagem anterior, de domingo passado, começa a partir da leitura de parte do seu artigo "A Armadilha na Espessura do que se diz..." (também referido no post anterior). Segue o trecho:
As técnicas de produção e dominação tal como coloca Foucault, não operam somente no sentido de “submeter as subjetividades às práticas divisórias, disciplinares, individualizantes e normalizadoras”, mas o fazem, contemporaneamente, em função de um novo dispositivo de controle – a democracia participativa – que reconhece direitos e determina práticas estabelecendo a legitimidade das falas em torno da produção de um consenso, de um único mundo possível, obtido no debate, tão incessante quanto insistente, de opiniões.
Desta forma, os esquemas de legitimação ganham brilho renovado nas sociedades de controle em que a democracia participativa se explicita na democratização crescente do instrumento de acionamento e produção da opinião: a informação. O que agora interessa regular é a informação, o conhecimento e a comunicação para extrair o máximo de criatividade. O correlato das sociedades de controle é o controle da produção imaterial, passamos assim “das estratégias de interceptação de mensagens ao rastreamento de padrões de comportamento”.
Nos dois vídeos a seguir ela aborda o funcionamento da Sociedade de Controle a partir da modulação de corpos pela via da opinião e dos fluxos de informação. E deixa clara sua visão bem heterodoxa sobre possíveis resistências no âmbito desta Sociedade.

A Opinião antes que um exercício político é uma prática de polícia,
no sentido em que concerne a distribuição dos corpos segundo modos
de ver, dizer, sentir e pensar.

Se o alvo é a existência, valeria perguntar como inventar existências
potentes o bastante para escapar às tecnologias do controle ?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Segunda parte da entrevista com Heliana Conde

______________________________

Foram lançadas para a professora Heliana Conde duas últimas questões (veja a primeira no post anterior):

2 – A Revista norte-americana Popular Mechanics, em reportagem intitulada “Sociedade da Vigilância: Novas Câmeras High-Tech estão Observando Você”, lembra pesquisa efetuada entre os norte-americanos em julho de 2007 onde 71% dos entrevistados eram a favor do aumento da vigilância eletrônica através de câmeras. Segundo a revista já eram estimadas, naquele momento da publicação, em janeiro de 2009, 30 milhões de câmeras em redor dos Estados Unidos.

É possível imaginar que no momento em que Foucault diz que “o aparelho disciplinar perfeito capacitaria um único olhar a tudo ver permanentemente”, ou seja, “um olho perfeito a que nada escapa e centro em direção ao qual todos os olhares convergem” (pg. 167, Vigiar e Punir, 2009), ele já vislumbraria de alguma forma toda esta parafernália eletrônica de vigilância ?

3 – Quando Deleuze, já nos anos 90, fala da Sociedade de Controle é porque bebeu das mesmas fontes de Foucault ?

O vídeo que segue mostra as respostas da professora da UERJ.

domingo, 10 de outubro de 2010

Foucault e a Sociedade Disciplinar

___________________________

Na última sexta-feira (08/10/2010) tive um encontro com a professora Heliana Conde. Ela é Doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo (USP), e hoje ensina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), localizada no bairro do Maracanã. Ali, no Instituto de Psicologia, foi onde ocorreu o encontro e uma entrevista foi realizada, a respeito de suas pesquisas sobre Michel Foucault.

A seguir posto a primeira questão feita a ela e sua resposta em vídeo.

Até Quarta-Feira, com a continuação da entrevista.

******

1 – Acerca do seu artigo Cartografias Minoritárias do Enclausuramento, no Livro coletânea Cartografias de Foucault (Editora Autêntica).

Você diz no texto (pg. 152) que passeia de bicicleta por Vigiar e Punir (com direito inclusive a boas risadas). E logo de início, deixando clara sua paixão por Foucault, você se permite caracterizar o livro dele a partir de três fragmentos:

  • [O poder disciplinar] adestra as multidões confusas, móveis, inúteis de corpos e forças para uma multiplicidade de elementos individuais – pequenas células separadas, autonomias orgânicas, identidades e continuidades genéticas, segmentos combinatórios.
  • A multidão, massa compacta, local de múltiplas trocas, indivíduos que se fundem, efeito coletivo, é abolida em proveito de uma coleção de indivíduos separados […] multiplicidade enumerável e controlável […] solidão sequestrada e olhada […].
  • A disciplina […] modela os comportamentos e faz os corpos entrarem em uma máquina, as forças numa economia.
Esses três fragmentos também ajudam a compreender o que acostumamos chamar de Sociedade Disciplinar ?

domingo, 3 de outubro de 2010

Pacificando as Cidades

______________________________


O texto que segue é encontrado na sua totalidade no Boletim eletrônico mensal do Nu-Sol - Núcleo de Sociabilidade Libertária.

******

No Brasil, certos candidatos às eleições de 2010 lançam mão da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) como “sinônimo de ação que pode dar certo”.
Na América do Norte e na Europa fortalecem-se, desde 2008, as “Unidades Territoriais de Bairro (UTB)”, atualmente denominadas “Brigadas Especializadas de Terreno (BET)”, adaptações francesas da community policing, executadas em Chicago e Londres.
Autoridades governamentais, à direita e à esquerda, proclamam: “queremos uma sociedade respeitosa e não uma sociedade rígida, violenta, brutal e egoísta”!
Reconhecem que o cidadão deixa de ser uma ficção, quando o sujeito de direito caminha para se tornar o “indivíduo portador de direitos de uma igualdade formal, rumo à igualdade real”, ou seja, quando se dispõe a cuidar de si e dos outros.
Este cidadão “evoluiu” no interior das lutas de minorias, e reinscreveu o universal na pluralidade e na multiplicidade das demandas identitárias, relacionadas umas às outras. Ele reconhece suas vulnerabilidades específicas e a interdependência das necessidades.
A expansão do pluralismo político em cada indivíduo ampliou o leque de escolhas racionais em variadas organizações da sociedade civil, para além das arregimentações partidárias.
É uma realidade neoliberal em função da cooperação e do bem comum, não apenas como sistema de governo de Estado e dos indivíduos. Todos devem cuidar de si e dos demais, porque todos dependem de algo, e para obtê-lo, de modo seguro, devem pautar suas condutas por meio da tolerância e da confiança de uns nos outros pela difusão da transparência.
A educação de cada um como capital humano, apesar da crise que eclodiu no sistema financeiro em 2008, não teve sua racionalidade abalada.
Os chamados países emergentes, como o Brasil, almejam despontar como potências do século XXI. Orientam-se com base na política participativa, na economia sustentável com responsabilidade sócio-ambiental, na variedade de direitos e em segurança modulada por cada cidadão e pelas tecnologias de informação e comunicação.
A expansão do pluralismo político propiciou o pluralismo policial, projetando o sujeito cosmopolita real.
Em poucas palavras: o súdito passou a ser cidadão e este a sujeito portador de direitos; em suma, permanece amando a sua condição e aspirando a uma “evolução” dentro da ordem.
Ele, ou ela, não se rebela contra a sujeição e amplia suas condutas como assujeitado, um amante das melhorias, na sua condição inquestionável de vida. Sobrevive como força reativa, exercitando a apatia ativa e conformando-se como um policial de si e dos outros.

*******

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Palestra sobre Movimento Punk - Participação do Público

_______________________________

Oi,

Hoje coloco mais uma vez duas partes da vídeo-produção, gravada por mim mesmo, da palestra "O movimento punk numa historia do anarquismo no Brasil", que aconteceu dia 18 de setembro, no Centro de Cultura Social, em São Paulo. Essas partes de hoje são relativas ao momento em que se abriu a palestra para debate e exposição de opiniões.

Legal ouvir um pouco da história do anarquismo dos anos 80 e 90. Vejam ai e sintam um pouco do sabor da revolta Punk, nas palavras de gente que esteve ou ainda está dentro do movimento.

Vídeo abordando Ocupações Punks em SP, Anarco-Punks, Punks pelo Brasil, etc.

Abordagem sobre as interferências do movimento punk dentro do anarquismo

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sociedade de Controle e Anarquia

______________________________


Na postagem anterior falamos de Edson Passetti com o qual marcamos uma entrevista para outubro próximo.

Passetti é Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP, Professor Assistente-Doutor do Departamento de Política da PUC-SP e Professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP.

Escreveu o livro Anarquismos e Sociedade de Controle, do qual retiramos alguns trechos, e transcrevemos abaixo.

*****
Na sociedade de controle o que poderia parecer diferente é semelhante, o avesso é cópia, a contundência é a conformidade na formalização. Assim, transitam trabalhadores eletrônicos de software e desempregados atendidos pelos efeitos da riqueza acumulada em serviços ou filantropias; faz-se aqui uma imitação do que se viu ali; a proliferação da contundência fashion de roupas, músicas, artes e estilos conforma-se ao elogio a uma existência múltipla, transitiva, efêmera que se torna incapaz de romper a programática, de irromper inventiva. Há múltiplas possibilidades de contestar para obter acesso à ordem. Trafega-se da contundência radical ao conformismo, mais de uma vez, por existência camaleônica. As cidades comportam seus centros descentralizados de produtividade, seus campos de confinamento e dormitórios, seus excessos populacionais, criminalidades em ascensão denunciadas pelas estatísticas sobre crescimento de violências e busca de qualidade de vida. As opções estão marcadas, para viver, trabalhar e viajar. Habitam, segundo os recursos materiais, condomínios fora das cidades (uma mesma periferia que aqui recebe um novo nome, que aparta e submete); pretendem acabar com epidemias originadas da insalubridade e que atravessam os cidadãos abarcando programas de saneamento em favelas, contando com a colaboração dos favelados — uma das formas de integrar o que aparta e submete.
....

Resistir é um verbo que na sociedade de controle designa forças retrógradas, como as religiosas fundamentalistas, os terroristas do Oriente e Ocidente ou as políticas radicais. Tudo o que escapa da instituição da democracia representativa e midiática é alardeado como perigoso e autoritário, não como no passado, identificando e expondo razões adversárias, contudo agora desprezando, como se fossem inevitáveis entraves, mas incapazes de colocar a democracia em risco. Por certo, a democracia não é mais somente representativa. O recrutamento das candidaturas e do eleitorado também passa definitivamente pelos fluxos eletrônicos, incluindo o toque na própria urna para votar ou o sufrágio por meio do fluxo eletrônico, sem que o cidadão precise deslocar-se de sua residência, mais uma comodidade. No parlamento, na Internet ou na televisão interagem segmentos estratificados da população, políticos, âncoras jornalistas, comandantes de auditórios, regentes de programas temáticos, grupos em situações de risco, artificialmente criados visando fortalecer a estima, a força e a capacidade diplomática do indivíduo em programas diários ou semanais de televisão, enfocando liderança, sistema de privilégios e prêmio em dinheiro. Em todos eles exige-se a opinião do telespectador, sua participação. Ele que espia, se possível, diuturnamente a vida dos outros, no laboratório dos programas de TV e pelas notícias em cima do acontecimento. Internet e televisão passam a ser, neste caso, também locais de produção da verdade. O telespectador e o navegador estão sendo educados pela telerrealidade, alertou George Balandier. A democracia dos meios de comunicação, como também localizou Carlo Freccero, acaba funcionando como totalitarismo; não há respiração sequer para a reflexão, apenas o convite para participar e se filiar a uma corrente de opiniões.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Sociedade vai resistindo diante do Panóptico

______________________________

"O Google está observando você"

Este blog vai fazer um ano de vida. Ele nasceu junto com a ideia de construir algo para, além de informar sobre questões acerca do tema Vigilância e Controle Social, construir conhecimento para um possível vídeo-documentário.

E esta ideia surgiu de um artigo proposto pelo professor da disciplina Novas Tecnologias no curso de Convergência Midiática dentro do qual estou participando.

Em uma das partes do artigo eu abordava as possibilidades de resistência a toda parafernália tecnológica de vigilância, que tanto o Estado, quanto a iniciativa privada se utilizam para bisbilhotar nossas vidas. Hoje, por exemplo, recebi a notícia de que o banco de dados da empresa que trabalho e o do TSE agora vão "conversar" e já é possível se saber se votei ou não nas próximas eleições, sem que seja necessário que eu leve o recibo de votação para confirmação do tal voto na secretaria da empresa.

Sobre a possível resistência eu escrevi no artigo:

Além de tudo, não podemos deixar que o medo, a insegurança, e os discursos policialescos em prol da eficiência da segurança, tomem conta da política pública e se permita uma vigilância generalizada em torno das ações individuais. Na revista norte- americana Popular Mechanics, já citada neste artigo, em reportagem intitulada “Sociedade da Vigilância: Novas Câmeras High-Tech Estão Observando Você”, lembra pesquisa efetuada entre os norte-americanos em julho de 2007 onde 71% dos entrevistados eram a favor do aumento de vigilância eletrônica através de câmeras.
.
Segundo a revista já eram estimadas, naquele momento da publicação, 30 milhões de câmeras em redor dos Estados Unidos. E finaliza: “Os americanos estão sendo observados. Todos nós. Em quase todos os lugares”. Um dos entrevistados na reportagem chega a dizer que “nós estamos entrando na era da vigilância a qualquer preço”, lembrando ter visto uma placa de advertência em uma pequena pizzaria: “Pare de roubar os frascos de temperos! Nós sabemos quem é você, nós temos vigilância 24 horas!”

Então é isso. Ontem e hoje, nos noticiários sobre tecnologia, pudemos ver um bom exemplo de resistência a todo esse discurso de progresso que quer passar por cima de tudo. Segue matéria do portal da Abril.com.

*****
O governo tcheco se recusou a autorizar o Google a coletar informações para nutrir a ferramenta Street View no país. As fotografias já tiradas pela empresa poderão ser utilizadas, mas a utilização de novos dados terá que ser negociada.
O Google tem sofrido ataques de diversos países preocupados com uma possível ameaça à privacidade representada pela função.

Hana Stepankova, representante do governo tcheco, disse em entrevista ao “BBC News” que haviam preocupações em relação a legalidade das ações da companhia, mas que negociações estavam em curso para que a coleta de dados pudesse se feita de acordo com as leis locais.

Segundo um porta-voz do Google, a empresa tem certeza de que opera na legalidade: “implementamos procedimentos rigorosos para proteger a privacidade, como o uso de ferramentas para embaçar rostos e placas de automóveis”.

A decisão tomada na República Tcheca é mais um caso de uma onda de acusações que a gigante da tecnologia tem sofrido. Em maio deste ano, a empresa admitiu a coleta de informações pessoais indevidas durante o processo de captação de dados.

Desde então diversos governos têm enfrentado o Google nos tribunais. Alemanha, Itália e Estado Unidos são alguns deles. Recentemente, um tribunal no Reino Unido absolveu a companhia, tachando como insignificantes os detalhes pessoais adquiridos.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Notícias da Grã-Bretanha

______________________________


No Blog do grupo britânico Big Brother Watch podemos ver quase todos os dias novas notícias que mostram o atual estado de vigilância na Grã-Bretanha.

Obviamente o motivo mais citado em toda as formas de vigilância que vão se utilizando é o combate ao terrorismo, mas não é difícil de perceber que o desejo de controle da sociedade pelos governos é algo intrínseco a estes.

Hoje naquele blog (veja link na coluna ai do lado) podemos ver, por exemplo, o começo do uso de mini-câmeras (CCTVs) nas blusas de policiais em cidade da Escócia. No site indicado pelo blog (STV) há uma clara alusão a possibilidade de mais controle pela polícia:

"Altos oficiais afirmam que ajudará a reduzir o comportamento anti-social e melhorar a coleta de provas".

O blog também aborda (More DNA database controversy) a controvérsia sobre a base de dados de DNA que estaria sendo construído com a ajuda de sangue colhido de bebês recém nascidos, em hospitais britânicos, sem a devida autorização de seus pais. E de acordo com informação obtida pelo The Sunday Times, o Banco de  DNA pode ser pesquisado por policiais, médicos legistas e outros estudiosos da área médica, possibilitando a identificação dos indivíduos.

Alguns dias atrás o grupo também alertou através do blog sobre a invenção do mascote da Olimpiada de 2012, em Londres. O bonequinho "arrepiante", segundo o autor da postagem, é um cíclope (vejam a figura no início dessa postagem), com um grande olho. O alerta dos Big Brother Watch é baseado nas informações do próprio site oficial do Wenlock (nome que deram ao mascote):

"A forma da frente de minha cabeça se baseia na forma do telhado do Estádio Olímpico. Meu olho é uma lente de câmera, capturando tudo o que eu vejo...".

Nada mais justo do que desejar ver tudo antes que algo aconteça em uma cidade como Londres, capital do país que mais apoiou os Estados Unidos no combate aos "terroristas" muçulmanos. 

E, afinal de contas, a afinidade dos governos britânicos com a vigilância, e o controle decorrido dela, não é nova. O quadrinista Alan Moore (V de Vingança, lembram ?) já dedicava suas críticas a essa tendência no início dos anos 80, durante o governo da dama de ferro, Margaret Thatcher.

Domingo estou de volta.

domingo, 23 de maio de 2010

Big Brother Watch

____________________________


Big Brother Watch é como se chama um grupo Inglês que debate assuntos relacionados à Vigilância e Controle Social.

Em sua página eles definem a missão do grupo. Traduzimos essa missão e disponibilizamos abaixo.

--------------------

Big Brother Watch luta contra a injustiça e toma parte em campanhas para proteger nossas liberdades civis e individuais.

O Estado Britânico tem acumulado um poder sem precedentes em tempo de paz e a pretensão dos políticos e burocratas é ampliar sua base de poder ainda mais em áreas desconhecidas.

Big Brother Watch promove o restabelecimento do equilíbrio de forças entre o Estado e as famílias e indivíduos.

Nós estamos de olho na lenta, mas astuta, apreensão do controle pelo Estado – de poder, de informação e de nossas vidas.

Nós defendemos o retorno de nossas liberdades e estamos a procura de gente para se juntar a nossa causa.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vigilância e Construção de Perfis de Comportamento

______________________________

"Nos últimos 40 anos, aproximadamente, vemos crescer vertiginosamente a capacidade de monitoramento e coleta de dados sobre indivíduos em diversos setores: trabalho, habitação, consumo, saúde, comunicações, deslocamentos, segurança, entretenimento, vida social, vida privada, etc. Essa bulimia de dados individuais é notável também na proliferação de tecnologias que já incluem em seu funcionamento mecanismos de monitoramento e coleta de dados individuais: cartões de crédito e de fidelidade, telefonia móvel, etiquetas RFID, cartões de transporte, sistemas de geolocalização por satélite, navegações e buscas on-line, participação em redes sociais, jogos ou ambientes colaborativos na Internet etc. Os sistemas de informação e comunicação da cibercultura se tornam tecnologias de vigilância potenciais. Lessig (1999), interrogado sobre o que há de novo na vigilância da era computacional, responde que é a facilidade de estocar e recuperar informações que derivam do monitoramento cotidiano das ações dos indivíduos".
O texto acima faz parte dos estudos da Professora Fernanda Bruno, da UFRJ.

É possível encontrar discurso semelhante ao utilizado por ela no filme Controle Absoluto. Ali uma máquina se torna independente das ordens humanas (ver também Geração Proteu). Louca em defesa da constituição americana, como um MPU Cibernético, a tal máquina consegue, a partir de dados digitalizados encontrados em todos os locais possíveis, controlar determinadas pessoas, prevendo suas ações e manipulando-as no caminho de seus objetivos.
.


.
Em resenha na Internet alguns dizem ser uma ficção futurista sem compreender que todo aparato e dispositivos mostrados no filme já estão a disposição dos governos e de grandes empresas (e também de indivíduos solitários).

Câmeras inteligentes em metrôs já podem "prever" se algum indivíduo vai tentar o suicídio. Compras de cartão de crédito deixam claro até mesmo opções sexuais. Informações do Orkut ou Facebook permitem identificar comportamentos de grupos, de simples torcedores de times de interior a terroristas.

No filme, felizmente, os mocinhos vencem. Indicando que sempre é possível resistir.