Mostrando postagens com marcador Consumismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Consumismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Controle sobre Consumidores

______________________________


Não é difícil se perceber como marketeiros e publicitários desejariam penetrar na mente de cada um dos seus possíveis alvos (isto é, consumidores) para saber o que gostariam de consumir, seus desejos, suas necessidades.

Mas talvez, o maior desejo desses profissionais, no âmago de suas consciências, seria influenciar ou persuadir aos consumidores a comprar e usar o que os produtores têm a disposição. Fazendo com que aqueles consumidores amem, adorem, idolatrem aqueles produtos ou marcas.

O objetivo da Revista Surveillance & Society publicada este mês é estudar justamente o fenômeno do crescimento da vigilância e monitoramento dos consumidores por um sistema cada vez mais eficiente quanto a coleta de dados sobre os perfis dos consumidores e sobre as tendências de consumo.

Fizemos a tradução do Editorial da Revista Online e disponibilizamos aqui neste post.

Outros textos, em inglês, podem ser encontrados no seguinte endereço:


Um abraço, e até a próxima Quarta-Feira.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vigilância sobre o Consumidor

______________________________


O tema Consumismo é bem familiar a autores como Zygmunt Bauman (já apresentado aqui neste blog) e Gilles Lipovetsky (que será apresentado em breve).

É impossível se referir a tal tema sem citá-los.

Mas a Revista Surveillance & Society (online) fez um trabalho excelente ao combinar o tema consumismo ao da vigilância. A publicidade e o marketing não são, há muito tempo, coisa de criança. Essas duas "ciências" nasceram no interior do capitalismo. Da necessidade de fazer com que os indivíduos consumissem: Produtos ou ideias.

A Revista Surveillance & Society publicada semana passada tem a intenção de informar como esse fenômeno se processa atualmente. Com todo aparato tecnológico disponível para os marqueteiros e publicitários.

Trago aqui no post de hoje um trecho traduzido do Editorial da Revista: Marketing e o Crescimento da Vigilância sobre o Consumidor.

No próximo post (após férias bem merecidas de 15 dias) trarei mais trechos daquele editorial.

*******
Ao longo dos anos, análises de vigilância e teorias sobre prática de marketing abordaram a vigilância comercial e corporativa de consumidores em uma variedade de formas. Em um dos exemplares iniciais para detalhar a vigilância de consumidores, Oscar Gandy confiou no uso do Panóptico de Foucault para descrever práticas corporativas. O texto de Gandy, The Panotic Sort, articula-se em mecanismos que agem como “um tipo de triagem cibernética de alta tecnologia através da qual indivíduos e grupos de pessoas estão sendo classificados de acordo com seu presumido valor econômico ou político” (Gandy 1993, 1-2). Os dados dos consumidores são reunidos e analisados de maneiras que servem para ditar as ofertas corporativas para várias categorias e segmentações de clientela. Essa classificação panóptica explora dados comportamentais passados para estreitar e limitar seletivamente opções apresentadas para transações futuras, tudo isso baseado na identificação, classificação e avaliações de consumidores atuais e potenciais. Esse marketing racionalizado classifica alvos econômicos de alta qualidade e descarta outros na sua trilha discriminatória, existindo, argumenta Gandy, como um sistema de controle anti-democrático.

Essas considerações são depois expandidas em um trabalho posterior no qual ele indica que parte do problema é que a ilusão da escolha é mantida em um pano de fundo de uma faixa de opções que se estreita continuamente (1996). Gandy mostra como a relação entre compradores e vendedores tem se tornado uma transação impessoal controlada pela inteligência cibernética. Ela usa uma coleção de dados pessoais cada vez mais automatizada para presumidamente permitir uma forma de marketing personalizado (ibid.). Em um trabalho posterior de co-autoria com Anthony Danna, a perspectiva de Gandy é aplicada a um elemento chave na Gestão da Relação com o Consumidor, percebendo a exploração de dados como um processo de classificação social. Danna e Gandy (2002) sugerem que as conseqüências sociais de práticas de exploração de dados são consistentemente ignoradas e que essas práticas podem excluir classes de consumidores da total participação no mercado (ver também Zwick e Dholakia 2004a). Eles apelam para que as corporações examinem o custo potencial que essas técnicas discriminatórias terão sobre determinados grupos sociais e sugerem que as corporações precisam considerar mais do que os lucros ao realizarem o marketing com base em práticas de exploração de dados.
_______

Gandy, O. H. 1993. The Panoptic Sort: A Political Economy of Personal Information. Boulder, CO: Westview.
——. 1996. Coming to Terms with the Panoptic Sort. In D. Lyon and E. Zureik (eds) Computers, Surveillance, and Privacy. Minneapolis: University of Minnesota Press.
——. 2009. Coming to Terms with Chance: Engaging Rational Discrimination and Cumulative Disadvantage. Farnham, Surrey:Ashgate.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Simulacro...

______________________________


Sinto, de vez em quando, navegando pela Internet que ela pode estar se transformando num espelho do que é a nossa sociedade.

Sociedade do espetáculo que festeja o visual, a imagem... mas não qualquer imagem. Somente aquelas que não obstaculizem o fervor consumista. E, apropriando-se, às vezes, até mesmo daquelas imagens que contestam esse fervor: caso clássico da imagem Punk, apenas para exemplificar. Até tranformá-la no que deseja, aniquilando a idéia original de resistência.

Para estarmos de bem com esta sociedade temos de estar por dentro da moda, das novelas da Globo, da mais nova cantora americana, dos números da Megasena acumulada...

Hoje, na Rede Mundial Internética, da mesma forma que na TV, as imagens e informações podem passar tão rapidamente e em quantidades tão absurdas que não fica muita coisa na memória de quem navega. Aliás, para que memorizar se amanhã começa tudo de novo. Isto não é feito por acaso.

Amanhã tem espetáculo ? Tem, sim senhor ! É o velho pão e circo que continuam a domesticar as mentes humanas.

As imagens de lutas de gladiadores, e todo o Coliseu aos gritos, dos Autos da Fé, na Inquisição, com a população cheirando a carne queimada dos hereges, dos berros de Hitler sobre toda uma massa inerte, transferiram-se para as telas dos modernos monitores de LCD.

Tudo bem vigiado. "Nossos" gostos e desejos vão sendo monitorados por "cookies" e vão se tranformando em tendências. E assim, essas tendências vão fortalecendo cada vez mais "nossos" perfis de alienação e estupidez.

Dissimuladamente, nossa vida se torna a imagem da simulação e da audiência. Somos o produto dos desejos de outros. Somos as peças do quebra-cabeça que vão se encaixando...

Mas Morpheus continua a atormentar a mente de todos, com a mesma questão. O que escolher:

A Pílula Azul ou a Vermelha ?