quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nada de Câmeras em Vestiários de Empresas

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Os trabalhadores têm direito à privacidade nos vestiários das empresas, que não podem instalar câmeras de segurança nesses locais. Com este entendimento, decisão inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o assunto em sua Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC).

A medida tem aplicação imediata apenas em relação ao dissídio coletivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Caxias do Sul (RS), mas deverá servir como base para outros casos semelhantes que chegarem à corte. A decisão não deve ser alterada por recurso.

A reivindicação chegou ao TST como um protesto contra decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), que aderiu à proposta dos empregadores de colocar câmeras em todo o ambiente de trabalho. No TST, os empregados pretendiam impedir a instalação de câmeras não só nos vestiários, mas também em refeitórios, locais de trabalho e de descanso. A alegação é que a prática causaria "constrangimento, intimidação, humilhação e discriminação aos trabalhadores."

O recurso foi acolhido em parte pelo ministro Walmir da Costa, que proibiu a instalação de câmeras apenas nos vestiários, afirmando que isso "certamente exporá a intimidade do empregado". Quanto à vigilância em outras áreas da empresa, ele afirmou que, "desde que não cause constrangimento ou intimidação, é legítimo o empregador utilizar-se de câmeras e outros meios de vigilância, não só para a proteção do patrimônio, mas, de forma auxiliar, visando à segurança dos empregados".

Fonte: Ag. Brasil

domingo, 14 de novembro de 2010

Vigilância reduz criminalidade ?

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As informações abaixo e o gráfico acima fazem parte do trabalho chamado "Measuring the Effects of Video Surveillance on Crime in Los Angeles", produzido por California Research Bureau.

Os índices de criminalidade, a vídeo-vigilância e seus gastos na Califórnia
Enquanto a utilização da video-vigilância pela aplicação da lei aumentou, a criminalidade em geral na Califórnia manteve-se relativamente estável, e, em alguns casos, diminuiu. Em 2006, o estado teve 518 crimes violentos e 1.889 crimes contra a propriedade por 100.000 habitantes (California Department of Justice, 2006). Em comparação com outros estados, a Califórnia se classifica em 25º lugar na taxa de criminalidade por 100.000 habitantes (United States Department of Justice, 2005).
A taxa de crimes violentos na Califórnia aumentou 1,2 por cento em 2006, este foi o primeiro aumento em 13 anos (California Department of Justice, 2006). Em contraste, a taxa de crimes contra o patrimônio tem aumentado continuamente desde 1999.
A prevenção da criminalidade continua a influenciar tanto as mentes da população quanto o orçamento do Estado. Uma pesquisa feita em 2006 pela Ralph Lewis Goldy e Centro Regional de Estudos Políticos da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), indicou que o crime foi o segundo assunto mais importante entre os moradores do sul da Califórnia neste ano (SCS Fact Sheet 2006).
Imaginando, como gostam de fazer historiadores da Idade Média, que a partir do ano 2001 a quantidade de câmeras de vigilância têm se multiplicado nas cidades americanas, além de ter a evidência de que crimes contra a propriedade aumentaram e se estabilizaram, conforme o gráfico mostra, é possível identificar um descolamento entre vigilância e criminalidade. Ou seja, não é necessariamente o aumento da quantidade de câmeras pelas ruas que vai diminuir a criminalidade.

Mas por uma questão de simplificação, falta de informações, ou seja lá o que for, a população parece se afeiçoar tanto à vigilância, quanto ao controle construído através delas. A mídia deveria ter um papel de informação, mas pouca coisa é dita de forma criteriosa nas programações das TVs e rádios, ou nas páginas das revistas e jornais.

O pouco que se vê aparece com contextualizações direcionadas, frequentemente em apoio às ações de controle. Deixamos aqui hoje um exemplar de uma reportagem que exemplifica o modo mais comum de como as grades de programação televisivas abordam o tema da Vigilância.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Privacidade e Cartografia Digital

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Cristiane Paião, da Revista ComCiência, entrevistou o pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e membro-fundador da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Rodrigo Firmino.

Escolhi duas questões, mais ligadas aos temas principais deste blog, e coloquei ai embaixo.

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ComCiência - Nos últimos meses diversos países vêm se mobilizando em relação à invasão de privacidade causada pelas fotos veiculadas no Google Street View. Na Europa, Estados Unidos, instalações militares, residências e até cidades pediram ao Google para que algumas imagens fossem removidas, além do fato de o serviço ter sido completamente banido na República Tcheca. Da mesma forma, o Map World chinês também restringe o acesso às imagens em determinadas áreas, de acordo com seus interesses. Taiwan, que a China define como província traidora, não pode ser vista na mesma resolução que a China continental. Como trabalhar com a confiabilidade dos dados diante desse quadro?

Firmino – Até onde eu conheço o sistema e essas discussões sobre segredos militares ou invasão de privacidade, não deve haver problema com relação à confiabilidade das imagens disponibilizadas, já que, em tese, as imagens não são "alteradas", mas há a exclusão de imagens sensíveis ou de interesse específico. É bem claro que sistemas e aplicativos que envolvam informações sensíveis – com discussões transferidas diretamente para os níveis aceitáveis de invasão de privacidade pessoal e coletiva, ou ainda de interesse governamental ou militar –, envolvem questões de ordem política, econômica e cultural.

Entretanto, o caminho até a disponibilização desses dados e informações é uma outra história e sempre corre-se o risco de uma série de pedidos comerciais e judiciais de bloqueio de informações e, isto sim, pode comprometer o uso desses aplicativos, se acontecer em larga escala, o que acho possível, porém improvável. Por outro lado, as discussões em torno da privacidade são importantes e devem ser colocadas à mesa, para que seja possível debater quais são os limites aceitáveis econômica, política, social e culturalmente desse equilíbrio entre o controle de informações – governamental e comercialmente – e a privacidade de grupos e indivíduos.

ComCiência - Como a sociedade está reagindo a essas novas formas de se relacionar com o espaço e a privacidade, como no caso do Street View, por exemplo, em que pessoas são literalmente representadas e inseridas no mapa cartográfico?

Firmino – Essas questões são fundamentais e devem ser mais bem discutidas. Infelizmente, não estamos fazendo isso no momento, a não ser em círculos restritos, acadêmicos e institucionais. A população não tem sido chamada para essa discussão, principalmente no Brasil.

Ainda assim, avanços importantes começam a aparecer, como no caso da construção do novo marco civil da internet no Brasil, aberto à consulta pública e debatido por vários indivíduos e grupos interessados na liberdade civil. Esse foi um momento muito importante e produtivo, pois profissionais de diversas áreas puderam dar sua opinião em trechos específicos do texto, defendendo a liberdade de expressão e o uso da internet em vários aspectos, e garantindo o direito da privacidade em várias instâncias na regulação do uso da internet. Resta saber como isso será absorvido e aproveitado institucionalmente até tornar-se efetivo. Esse é o caminho a ser perseguido, o da discussão aberta, da participação e da colaboração.

Ainda discutimos pouco, especialmente no que diz respeito ao uso cada vez mais intensivo de tecnologias de informação e comunicação no controle e vigilância de grupos, indivíduos e espaços. No Brasil há uma tendência em imputar aos sistemas tecnológicos a responsabilidade de correção e resolução de problemas que na verdade têm outra ordem. Não são técnicos, mas sociais, políticos e econômicos. O caso do Google e seus dispositivos entram certamente no contexto mais amplo de todos esses meus argumentos sobre as discussões e preocupações com a privacidade no Brasil, ou seja, é um tema que não é debatido como deveria.

domingo, 7 de novembro de 2010

Neo-Liberalismo e Controle Social

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O século XX se encerrou afirmando como utopia uma necessária democracia agenciada pelas forças liberais. Ela deve servir a todos como forma de vida política igualitária capaz de contemplar as diferenças. Trata-se de uma democracia representativa com base em direitos civis, políticos e sociais que espera a participação de todos e se propõe garantidora de direitos a serem contemplados com  base na inspiração multiculturalista. Capitalismo com democracia passou a ser o duplo indissociável que encerrou o século anunciando o retilíneo caminho a ser seguido pela sociedade de controle.
Edson Passetti no livro Anarquismos e Sociedade de Controle (Cortez Editora)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Conversando com Edson Passetti

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Posto hoje aqui mais uma parte da conversa que tive com o professor Edson Passetti no dia 17 de Outubro, em São Paulo.

domingo, 31 de outubro de 2010

Eu só quero é ser feliz...

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Eu só quero é ser feliz
Andar tranqüilamente
Na favela onde eu nasci
É...
E poder me orgulhar
E ter a consciência
que o pobre tem o seu lugar.



Rap da Felicidade
 (Cidinho e Doca)


Para quem não conhece, os versos acima são de uma música tocada lá pelos anos de 1995 e 1996, quando ainda se podia chamar favela de favela. Hoje o nome dado ao mesmo local é Comunidade. Mas a violência e a corrupção policial, por exemplo, continuam andando por ali, da mesma forma que há 15 anos atrás.

O controle estatal, segundo George Orwell, em seu 1984, era também baseado na confusão de ideias difundidas dentro da sociedade. Favela, comunidade, violência, paz, segurança, felicidade. Paz é Guerra. Ignorância é Força. Liberdade é Escravidão. Eufemismos e ambiguidades. A sociedade de controle funciona nestas bases.

Encontrei a notícia que segue no dia 15 de Outubro, no site Vitrine Digital:
Os prefeitos de Pelotas, Rio Grande, Cruz Alta, Taquara e Venâncio Aires estiveram, nesta sexta-feira, em Brasília para assinar convênios com o Ministério da Justiça. O governo vai repassar recursos para que cada município implemente um sistema de video-monitoramento, a fim de reforçar a vigilância em pontos considerados mais perigosos. O objetivo é prevenir a violência e a criminalidade.
Recentemente, os cinco municípios criaram o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) – órgão reunindo representantes da prefeitura, Judiciário local, Ministério Público, Polícia Militar e sociedade civil (como sindicatos e entidades de classe). Os membros do gabinete analisam estatísticas sobre a segurança pública no município e sugerem medidas para que os problemas sejam resolvidos.
Vigilância e controle social em nome de mais segurança e felicidade ?

Para entendermos um pouco mais acerca do que vem a ser a Sociedade de Controle trouxe hoje aqui um novo trecho da conversa que tive com Acácio Augusto e Edson Passetti. Vejam no vídeo que segue.

Nele o professor da PUC-SP, Edson Passetti, que escreveu o livro Anarquismos e Controle Social, fala de como funciona o controle dentro da sociedade atual.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Deleuze e a Sociedade de Controle

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Gilles Deleuze e seus Reflexos

O filósofo Gilles Deleuze em certo ponto da década de 90 disse o seguinte:

"Diante das próximas formas de controle incessante em meio aberto, é possível que os mais rígidos sistemas de clausura nos pareçam pertencer a um passado delicioso e agradável".

Aproveitamos os conhecimentos de Acácio Augusto sobre aquele autor para questioná-lo sobre como ele via a questão da Sociedade de Controle.

Acácio é autor do livro Anarquismos & Educação, junto com Edson Passetti. Também escreveu o artigo Para além da prisão-prédio: as periferias como campos de concentração a céu aberto, na revista online Observatório das Metrópolis.

Seria uma espécie de pessimismo nas análises de Deleuze sobre a Sociedade do Controle, nos anos 90, que hoje vemos fluindo como a realidade das favelas cariocas, ou na periferia de Salvador, ou qualquer outra grande cidade ?

As modificações urbanísticas, as políticas pacificadoras (com mais policiamento e mais vigilância) naquelas grandes cidades são na realidade apenas parte de uma complexa construção e manutenção das sociedades de controle a que Deleuze se referia ?

Questionamos e ele nos respondeu. Veja o vídeo que segue.

No próximo Domingo continuo a apresentação da conversa que tive com Edson Passetti e Acácio, em seu apartamento no bairro da República em São Paulo. O encontro aconteceu no dia 17 de Outubro, no final da tarde de um outro Domingo.

domingo, 24 de outubro de 2010

10 segundos para responder 1 questão

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Olá,

Hoje estou deixando aqui uma questão para que seja respodida por quem passa por este blog.

Apenas 10 segundinhos de sua vida para respondê-la. Será um bom feedback para mim que edito o blog.

Um abraço e até Quarta-Feira quando continuo a publicar as entrevistas que fiz em São Paulo.

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